quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Retratos (23) - A malta de Lisboa

* Victor Nogueira
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É quase meia noite. (...) Hoje não me apetece nada ir a Lisboa! Lisboa é andar dum lado para o outro, a azáfama sem sentido. Outrora era a Universidade e a Associação dos Estudantes [do ISCEF] e o cinema. Depois, já em Évora, era a Emília e os nossos almoços e as conversas sobre o momento político e o movimento estudantil. (1) A ela se juntou o Luís Filipe (2), que andara comigo no 1º ano de Sociologia. Mas ... a Emília passou e a sua presença amiga e gentil é a lembrança da mulher e do afecto que não tenho nem consigo dar. O Luís Filipe é a divergência de caminhos: a minha radicalização - ao menos teórica e intelectual - e a sua aceitação desta sociedade, revelada no curso que tirou, no emprego que arranjou, na vida que levará. (MCG - 1973.11.16)
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Nunca o meu desencanto por Lisboa foi tão grande. Outrora, no outro tempo ... Havia os grandes passeios, os encontros, as idas ao cinema. Era o tempo da disponibilidade do Luís Filipe, da Emília, do Lampreia, do Zamith, do Martins Pereira, da Luísa Seia, estes [três] de Angola e meus velhos companheiros de Liceu (O Zamith já vinha da escola primária). Mas o tempo casou uns e levou outros e mesmo que ainda os veja, como estão distantes de mim! Passaram todos, e eu fiquei. (MCG - 1974.04.04)
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1 - Mais a malta de Angola e do Colégio Universitário Pio XII (o Jorge Zamith, o Martins Pereira) e do Centro de Estudantes Católicos de Luanda (o Duarte Pousada, o Duarte Pedro e uma moça de Carcavelos, a Luísa Seia).
2 - Mais a Isabel, com quem casou, e a Violete

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