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sábado, 1 de dezembro de 2007

Em conversa com ... (3) TODO O MUNDO


Respondendo ao comentário que a Kalinka deixou no Ao (es)correr da pena e do olhar, desculpem-me a minha falta de cóltura ... E Biba o Porto, que o resto é cumbersa! Bá, «cambada», todos a gritar: Bibó Porto. Carago, o Porto é uma Naçom!
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Bictor Nogueira
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Gravura - Zona Ribeirinha do Porto em 1905 - in A Xafarica

sábado, 11 de agosto de 2007

Tripas à moda do Porto


* Victor Nogueira
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Esta imagem do trânsito é mesmo elucidativa de como se conduz (!) no Porto, que além disso tem ruas muito estreitas e passadeiras onde os peões são candidatos ao suicídio. Se eu vivesse no Porto, preferia andar de barco rabelo, mas com motor fora de borda por causa das calmarias (não dos automobilistas, mas sim do vento que enfuna as velas, não de cera mas da embarcação).
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O aborrecido era que se acostasse à margem direita desse riacho que é o Douro, comparado com o Tejo, tinha que me estafar para subir aquelas ingremes calçadas. Para baixo poderia vir a rolar, mas como não sou redondo era capaz de ficar estragadote. E então a mania das grandezas que os tripeiros têem ! Sim que têm inúmeras pontezitas. Deixa lá ver; S. João, Freixo, D. Luís, D. Maria e Arrábida.
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Estão todas, não estão? Mesmo contando com o memorial à fatídica Ponte das Barcas e os amarradouros da ponte pênsil, isso nem chega a um quarto da ponte Vasco da Gama !
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Por exemplo. o carro vermelho da frente, pisando o traço contínuo, equidstante das margens para poder evitar qualquer saída da estrada, e com a maralha a querer ultrapassar de qualquer modo, poderia vir à vontade a Lisboa, porque é tudo autoestrada e em chegando, se os nortistas não forem ao Bairro Alto, Alfama e Mouraria, as ruas são suficientemente largas para passearem nas calmarias, mesmo nas horas de ponta! Isto para não falar no Código de Estrada, que é conveniente ser estudado uns dias antes da «descida» ao Sul. Reparem, «descida», porque vir ao Sul é sempre uma subida civilizacional.
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Bem, num aspecto o Porto bate Lisboa, não por causa do Palácio do Freixo mas porque ao lado tem o Museu da Imprensa. Creio que não há outro em Portugal. Pronto, a mui nobre, sempre leal e invicta cidade, para além do coração de D. Pedro IV ali para a Lapa, do grandioso e sempre invejado Futebol Clube do Porto, tem naquele Museu um motivo para o seu «orgulho» de nortista :-)
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Mas voltando ao trânsito e meios de transporte. Aquilo é uma confusão que só visto, com o coração sempre atrofiado e os nervos à flor da pele. Isto para não falar nos nervos de aço!
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Apesar de ter vivido lá muitos anos, agora perco-me por vezes a conduzir no Porto, especialmente com as transformações que fizeram nas circulares.
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E o Metro de superfície que por vezes mergulha literalmente num túnel? Olhem que é complicado perceber como se anda no Metro do Porto. Então aquilo dos bilhetes e dos carregamentos e mudanças de preços quase exige uma licenciatura em Tiragem de Bilhetes.
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E depois como me esqueço do malfadado Cartão Azul sempre que lá vou já tenho uma pequena colecção ali numa gaveta. E depois no Porto buzinam, chamam nomes (como se estivessem a conduzir ou puxar uma carroça e não manobrar um veículo automóvel) põem de fora um ou dois dedos porque têm sempre razão. ultrapassam pela direita, para eles o vermelho é igual ao verde e o laranja não existe, o STOP é para os outros, coitados dos peões nas passadeiras que deviam chamar-se «passagens a ferro» ao menor descuido do confiado peão, para além de nunca abrandarem para deixar o outro automobilista entrar na fila.
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Cá para o Sul somos mais atenciosos e respeitadores do código da estrada. Reconheço isso apesar das minhas costelas tripeiras de Cedofeita (Deve ter sido por isso que nasci adiantado dois meses). Por falar em Cedofeita, os meus pais dizem sempre que são do Porto, mas de Cedofeita. Mistérios para mim insondáveis, tanto mais que a Rua de Cedofeita agora é parcialmente pedonal. Haverá outro Porto para além de Cedofeita? Sim, que dizem que o Porto é mais velho que a Sé de Braga, mas eu nessa altura ainda não era nascido e portanto o meu testemunho neste aspecto é irrelevante. É sempre um testemunho de «ouvi dizer» ou «li algures» , sem o PESO do «eu estava lá e vi com estes olhos que a terra há-de comer».
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Mas confesso que gosto do Porto e se tivesse o clima ameno, o céu azul e a luminosidade de Lisboa, talvez alguém me conseguisse converter de sulista árabe para nortista visigodo.
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2007.08.11
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The last but not the least: gravura gentilmente «cedida» por «@»