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domingo, 8 de janeiro de 2017

Mário Soares (1924 / 2017)




mário soares por júlio pomar

* Victor Nogueira

Desde 1969 até hoje as minhas barricadas e as de Mário Soares foram muitas vezes opostas ou antagónicas. Na chamada Primavera Marcelista eu apoiei as CDE, que aglutinava a maioria da oposição ao fascismo, e ele cindiu a Oposição com as CEUD.
Em 11 de Novembro de 1975 eu continuava a apoiar o MPLA, tal como desde 1962, mas ele estava noutra barricada.
Em 1976 e pelo I Governo Constitucional do PS/Mário Soares/Cardia, tal como muitos professores, sofri o meu 1º saneamento, por razões estritamente políticas, seguido dois anos depois pelo despedimento /desemprego / subemprego.
Em 1986 o PS venceu as eleições autárquicas em Setúbal e com muitos trabalhadores sofri novo saneamento por razões estritamente políticas, ao mesmo tempo que sem engolir sapos votei Soares para derrotar Freitas do Amaral. Não fui despedido porque o meu vínculo de trabalho não era precário, mas vontade não faltou ao PS.
Ao longo de 47 anos só conjunturalmente as minhas lutas coincidiram com as do PS e de Soares. O "socialismo em Liberdade" que ele defendia é este, aquele em que estamos, resultante do 25 de Novembro de 1975, das "privatizações" de sectores estratégicos da economia nacional, incluindo a banca (os BANIF, os BPP, os BPN, os BES,os BCP, os BPI ...), das "troikas" e do FMI, do desemprego e do trabalho sem direitos e precário.
Fora das reportagens, dos noticiários e dos debates na TV só vi Soares uma vez. Uma noite descia com a minha companheira o Campo Grande em Lisboa quando o vislumbrámos à porta de casa de camisa desfraldada, descontraído, camisola atirada para as costas segura pelo indicador direito, enquanto o motorista retirava da bagageira caixotes de garrafas de vinho. Parámos brevemente à esquina apreciando a cena enquanto o polícia de guarda à residência nos olhava manifestamente sem saber o que fazer se estivéssemos ali para atentar contra Soares. Seguramente não saberia o que fazer. Rimo-nos com a atrapalhação do polícia e calmamente continuámos a descida do Campo Grande até ao local onde deixáramos estacionado o automóvel.

Para um leitor atento e para quem tenha uma vida de luta social e política iniciada anteriormente a 1969, o retrato de Soares, de corpo inteiro, feito por ele próprio, está na alentada entrevista em 3 volumes que deu a Mª João Avillez, em que reescreve a história do modo que lhe convém, com ele como centro do mundo.



Sérgio Godinho e a "Liberdade"
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
A paz, o pão
habitação
saúde, educação

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Foi na Cidade de Setúbal, por José Afonso

* Victor Nogueira


Zeca Afonso Diário Popular, 19 de Maio de 1975


Uma canção composta por José Afonso baseada em poesia popular sobre um acontecimento em Setúbal a 7 de Março de 1975. quando a direita - PPD/PSD - tentou logo após o 25 Abril realizar um comício nesta cidade. Dos confrontos com a Polícia resultou um morto.





Esta música, «Foi na cidade do Sado», faz parte do album «República» e foi gravado em Roma em 1975. O disco nunca seria editado em Portugal e Zeca Afonso não voltaria a utilizá-la ao longo da sua carreira, a não ser como lado B do single «Viva o Poder Popular», uma edição da Luar de 1975.

«Foi na cidade do Sado» descreve os incidentes ocorridos em Setúbal a 7 de Março de 1975, durante um comício do PPD, e dos quais resultaram um morto. «E o PPD era a CIA», diz a certa altura.

A receita do disco foi destinada a apoiar os trabalhadores do jornal português «República» ou, no caso deste fechar, uma cooperativa agrícola, daí o nome «Per le Cooperative Portoghesi».

Francisco Fanhais e músicos italianos colaboram na gravação.

Letra completa:

Foi na cidade do Sado
No pavilhão do Naval
Havia uma bronca armada
Pelas bestas do capital

Aos sete do mês de Março
Quinta-feira já se ouvia
Dizer a boca calada
Que o PPD era a CIA

Uma tarjeta laranja
Convite ao povo fazia:
Venham todos ao comício
Da Social Democracia

Eram talvez quatrocentos
Gritando a plenos pulmões:
Abaixo o capitalismo
Não queremos mais tubarões

Lá dentro sessenta manos
Do PPD exibiam
Matracas e armas de fogo
E o mais que os outros não viam

A um sinal combinado
Já quente a polícia vem
Arreia, polícia, arreia
Que o Totta-Acores paga bem

Amigo arrebenta a porta
Que te vão para matar
As bestas já fazem fogo
Lá fora tens de lutar

Os gases lacrimogénios
E os tiros que então partia
Mais os cordões da polícia
Os Pê Pê Dês protegiam

Cai morto João Manuel
De nascimento algarvio
Dezoito já eram feridos
Ficou o Naval vazio

Justiça pela noite fora
Pediu o povo na rua
Morte à polícia assassina
Amigo a vitória é tua

Aos onze do mesmo mês
Às onze horas do dia
Enquanto o João passava
Enquanto o João jazia

Do outro lado do rio
Morre o soldado Luís
Soldado filho do Povo
Vamos fazer um País

- See more at: http://5dias.net/2011/04/14/sons-de-abril-zeca-afonso-foi-na-cidade-do-sado-e-o-ppd-era-a-cia/#sthash.GMr4uYHa.dpuf

“Foi na cidade do Sado” foi também editado cá, como lado B do “Poder Popular” (uma edição, se a memória não me falha, da L.U.A.R…  






domingo, 28 de julho de 2013

O que faz falta é avisar a malta



NÃO ESQUECER, NÃO PARAR, NÃO ADORMECER. NÃO DESMOBILIZAR pois O QUE FAZ FALTA É AVISAR A MALTA

ouve aqui José Afonso



Quando a corja topa da janela
O que faz falta
Quando o pão que comes sabe a merda
O que faz falta

O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta

Quando nunca a noite foi dormida
O que faz falta
Quando a raiva nunca foi vencida
O que faz falta

O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é acordar a malta
O que faz falta

Quando nunca a infância teve infância
O que faz falta
Quando sabes que vai haver dança
O que faz falta

O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta

Quando um cão te morde a canela
O que faz falta
Quando a esquina há sempre uma cabeça
O que faz falta

O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta

Quando um homem dorme na valeta
O que faz falta
Quando dizem que isto é tudo treta
O que faz falta

O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta

Se o patrão não vai com duas loas
O que faz falta
Se o fascista conspira na sombra
O que faz falta

O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é dar poder a malta
O que faz falta
 —  


quinta-feira, 22 de março de 2012

Greves, Lutas, Resistência e Repressão


  • Ontem vi polícias a bater em mulheres, até jornalistas que estavam a fazer o seu trabalho...
    expresso.sapo.pt
    No auge da crise académica de 1962, a polícia de choque cercou e prendeu cerca de 1500 estudantes, alguns dos quais em greve de fome, reunidos na cantina da Cidade Universitária. 50 anos depois, o Expresso recriou os passos dos principais protagonistas.
     ·  ·  · 
    • Jose Castilho gosta disto.

      • Jose Castilho Ontem foi o regresso ao passado...Aos tempos de Rapazote e Santos Júnior...
        há 15 horas · 

      • Marta Cunha Caldeira eh pá, calma lá que na primeira greve geral nos idos de oitenta eu também apanhei pancada da polícia, eu e um amigo jornalista norueguês, em pleno rossio... no governo AD...
        há 15 horas ·  ·  1

      • Marta Cunha Caldeira não é preciso recuar tanto...
        há 15 horas · 
      • Victor Nogueira sem esquecer o capitão maltez [da Polícia de Choque] e o major silva pais [da PIDE/DGS] e o tenente carrajola [da Guarda Nacional Republicana]  e quem comandava e era comandado 

        Zeca Afonso No Coliseu ( José Afonso ) Faixa-A morte saiu á rua
        há 15 horas ·  · 
      • Victor Nogueira 
        A morte saiu à rua num dia assim 
        Naquele lugar sem nome para qualquer fim 

        Uma gota rubra sobre a calçada cai 
        E um rio de sangue de um peito aberto sai 

        O vento que dá nas canas do canavial 
        E a foice duma ceifeira de Portugal 

        E o som da bigorna como um clarim do céu 
        Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu 

        Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual 
        Só olho por olho e dente por dente vale 

        À lei assassina, à morte que te matou 
        Teu corpo pertence à terra que te abraçou 

        Aqui te afirmamos dente por dente assim 
        Que um dia rirá melhor quem rirá por fim 

        Na curva da estrada hà covas feitas no chão 
        E em todas florirão rosas de uma nação 
        ____________________________________ 

        música e letra de José Afonso
        há 15 horas ·  ·  1
      • O último concerto de Zeca Afonso em 29 de Janeiro de 1983, no Coliseu "Os Vampiros"
        há 15 horas ·  · 
      • Victor Nogueira 
        Vampiros
        José Afonso

        No céu cinzento sob o astro mudo 
        Batendo as asas Pela noite calada 
        Vêm em bandos Com pés veludo 
        Chupar o sangue Fresco da manada

        Se alguém se engana com seu ar sisudo 
        E lhes franqueia As portas à chegada 
        Eles comem tudo Eles comem tudo 
        Eles comem tudo E não deixam nada [Bis]

        A toda a parte Chegam os vampiros
        Poisam nos prédios Poisam nas calçadas
        Trazem no ventre Despojos antigos
        Mas nada os prende Às vidas acabadas

        São os mordomos Do universo todo
        Senhores à força Mandadores sem lei
        Enchem as tulhas Bebem vinho novo
        Dançam a ronda No pinhal do rei

        Eles comem tudo Eles comem tudo
        Eles comem tudo E não deixam nada

        No chão do medo Tombam os vencidos
        Ouvem-se os gritos Na noite abafada
        Jazem nos fossos Vítimas dum credo
        E não se esgota O sangue da manada

        Se alguém se engana Com seu ar sisudo
        E lhe franqueia As portas à chegada
        Eles comem tudo Eles comem tudo
        Eles comem tudo E não deixam nada

        Eles comem tudo Eles comem tudo
        Eles comem tudo E não deixam nada
        há 15 horas ·  ·  1

      • Ana Duarte Apoiado Victor, bem corri por aquela Avenida de Roma, após os comícios do Maria Matos e o Maltez lá estava. Torno a repetir, são 300 anos de inquisição e 48 de fascismo, ainda existem muitos fantasmas do passado nos líderes locais e nos governos de direita.
        há 6 horas ·  ·  1