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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Salazar e a defesa de Portugal do Minho a Timor


Mapa de Propaganda ao Império Colonial Português [1]

NOTA de Victor Nogueira ao post Salazar e a defesa de Portugal do Minho a Timor

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Adolescente em Angola na altura, crente então na exidestência dum Portugal uno do Minho a Timor [2], desconhecia as sucessivas tentativas de Nerhu para a resolução pacífica da integração e que a maioria da população do «Estado Português na Índia» não falava português. Mas causava-me então estranheza que durante as semanas seguintes os jornais de Luanda que havia «heróicas bolsas de resistência» das Forças Armadas Portuguesas. Pois então interrogava-me como tal poderia ser possível, se bastava que cada soldado indiano cuspisse na fronteira para que o Exército Português morresse afogado.

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Se o General Vassalo e Silva tivesse obedecido a Salazar em nome «da ética e honra militares», quase seguramente que democratas como o senhor General Lemos Ferreira [na altura no Estado da Índia e oficial do quadro permanente e às ordens de Vassalo e Silva] não estariam a conceder décadas depois entrevistas «históricas» em nome da defesa da «pureza» do 25 de Abril e contra os «desmandos» e« totalitarismos» a que o 25 de Novembro pôs termo, pois, desobecendo à cadeia de comando, mesmo sózinho, teria enfrentado as tropas «estrangeiras» invasoras e morrido heróicamente em combate.

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Sabe-se o que sucedeu ao «traidor» General Vassalo e Silva por desobedecer a Salazar, tal como ao consul de Bordéus Aristides Sousa Mendes, ambos reabilitados apenas depois do 25 de Abril. «Haja Deus, Pátria e Família!»

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[1] - Gravura retirada de d'ali e d'aqui - guerra colonial portugesa

[2] - pejado de heróis e navegadores, mas então para mim surpreendentemente reduzido a duas ou três linhas e a Vasco da Gama ou Fernão de Magalhães nos livros juvenis enciclopédicos em inglês ou francês que o meu tio José João me oferecia.


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domingo, 4 de maio de 2008

Guerra, Descolonização e tentativa de branqueamento da História


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* Victor Nogueira
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Posso apenas servir-me das minhas «memórias» e estas perdem-se nas brumas do tempo e nas mudanças do olhar (1).
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Mas perante tantos cronistas encartados que na Televisão e na auto-denominada «imprensa de referência», como Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Sousa Tavares, Nuno Rogeiro, Jorge Coelho, Santana Lopes, José Sócrates, António Barreto, Emídio Rangel e Vital Moreira, etc., etc., etc., abalizados fazedores de opinião pública e outros que peroram ou peroraram abalizadamente sobre tudo como se inclíticos descendentes do «renascentista» e genial Leonardo Da Vinci fossem, permitam-me estas opiniões «impressionistas» dum bloguista Zé Ninguém.
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De 1961 a 1966 vivi diariamente em Luanda e depois daí, estudante universitário apenas e até às Férias Grandes de 1972, posso dar a minha opinião, por vezes «impressionista», tal como os «sábios» «opinion makers» acima referidos, aceitando rectificações contudo fundamentadas às minhas «memórias».

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A «independência» do Congo ex-belga, nunca chamada à colação mas mais «assassina» ou «criminosa» que a Portuguesa nos moldes em que foi feita (recordemos o abandono dos colonos brancos e da secessão do rico Katanga, do apoio a Moise Tshombe e do assassinato de Lumumba, este apresentado como sanguinário analfabeto pela imprensa portuguesa - lembremo-nos também das «anedotas» sobre Samora Machel, (2) ... Lumumba, apesar de «protegido» pelos capacetes azuis no Congo Belga, que fora «propriedade particular» do imperador da Bélgica, teve a mesma «sorte» que os seus compatriotas no século XIX que, sob a pata do «venerável» Leopoldo II, foram assassinados: 50 % da população do da fatia do Reino ou Império do Congo, pela Conferência de Berlim artificiosamente «dividido» entre Portugal, a França e Leopoldo (entenda-se, não à Bélgica), formando este o que chamou Estado Livre do Congo. (3)(4)
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A chegada de levas de colonos brancos aterrorizados fugidos do Congo ex-Belga com uma mão à frente e outra atrás, foi habilmente explorada pela imprensa angolana ferreamente controlada pelo fascismo Português para «demonstrar» a inferioridade dos negros, terroristas e sanguinários selvagens incapazes de se autogovernarem.
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Considerados «mentecaptos» pelo fascismo salazarento português, os negros em África (durante séculos coisas e mercadoria escrava na América) eram considerados incapazes de viverem em democracia, tal como os brancos e as mulheres no Puto. Durante séculos Angola foi vasta colónia de degredo, para criminosos de direito comum ou presos políticos, de Portugal ou do Brasil. É verdade que os líderes dos chamados «terroristas» eram intelectuais negros, licenciados ou não pela salazarenta Universidade Portuguesa, como
Agostinho Neto, Amílcar Cabral, ViriatoCruz, Eduardo Mondlane, Mário Pinto de Andrade ou Savimbi ...


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A tragédia do Congo teve influências negativas em Angola após os assaltos em Luanda à Cadeia Civil de S. Paulo, ao Quartel da Polícia Móvel e ao Forte de S. Fernando, ocorridos em 4 de Fevereiro de 1961, para libertar os presos políticos, e reivindicados pelo
MPLA. Desses assaltos resultaram mortos apenas entre os assaltantes e as forças policiais, neste caso sete. O senhor Coronel Manuel Amaro Bernardo dá o seu testemunho sobre a preparação das forças militares portuguesas para a guerra de guerrilha e sobre a ausência de massacres sobre as populações negras.
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Eu, como muitos outros brancos, estávamos lá. Éramos brancos da 2ª geração, éramos brancos angolanos a quem Portugal nada dizia (veja-se o meu poema Raízes) e já dei testemunho com um saber de experiência feita dos massacres sobre as populações negras perpretados indiscriminadamente pelas milícias da Organização Popular de Vigilância e Defesa Civil de Angola no PortugalClub, no macua.blogs - 25_de_abril_o_antes_e_o_ agora e no Kant_O_XimPi
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A benevolência do colonialismo ou o «luso-tropicalismo» de Gilberto Freire (5) são uma ficção, mesmo num país «exemplar» mas de facto racista como é o Brasil. Isto para não falar nos EUA ou em muitas «repúblicas» inde+endentes da chamada América Latina. Latina? Anglo-saxónica? Apenas e na sequência da Conferência de Berlim. nos finais da Monarquia - após o ultimatum do velho e «aliado» amigo e opressor e colonizador de Portugal, sobretudo na sequência do leonino Tratado de Methuen - e durante a 1ª República, com as chamadas «Campanhas de Ocupação», se dominou aparentemente a resistência ao invasor estrangeiro, igual à enaltecida independência de Portucale ao Reyno de Leão ou à resistência de Portugal à ocupação do Castela ou às invasões napoleónicas.
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Os resistentes de Portugal à colonização do Portugal europeu, incluindo aos ideais da Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) são considerados heróis exemplares, enquanto os resistentes na «Mãe-Pátria» eram apresentados como «agentes» e «traidores» a «soldo» de Moscovo e os das colónias eram apresentados como selvagens, sub-humanos, negros pagãos envolvidos nas trevas da idolatria e terroristas. Mas foi o carro do consul norte-americano em Angola que os «brancos» de Luanda atiraram à baía ou as missões evangélicas norte-americanas que foram depredadas. Na altura não havia ilusões nem «revisões» da história.
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O senhor Cor. Manuel Amaro Bernardo não refere o esclavagismo que era o «contrato de trabalho» em Angola e S. Tomé, denunciado mesmo por Henrique Galvão, anti-comunista e até certa altura defensor da «gesta imperial», nem os comprovados «crimes de guerra» silenciados pela censura do «democrático» fascismo português, de que são exemplo o genocídio sobre as populações camponesas negras, regadas a napalm, em greve face ao regime de monocultura imposto pela Cotonang para integrá-los na economia de mercado. Nem refere a «exploração» do chamado tribalismo entre congoleses e bailundos, «aproveitada» pelos fazendeiros do café no norte de Angola, como o fascismo e os latifundiários se aproveitavam da miséria dos «ratinhos» da Beira Baixa para impor baixos salários aos assalariados agrícolas alentejanos nas praças de jorna ou em greve por melhores condições de vida e de trabalho.

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Podem oficiais do Quadro Permanente, «retornados» e saudosistas de Salazar dizerem que a guerra estava militarmente ganha. Mesmo que assim fosse ela estava económica e políticamente perdida face à cegueira e ganância de quem económicamente sustentava o fictício e embaraçante poder de Salazar/Caetano. O esforço de guerra era feito pelos oficiais milicianos e pela «tropa» camponesa portuguesa que fugia e emigrava.
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Como confirmou o falecido e anti-comunista General Galvão de Melo, na RTP, num debate colectivo prévio à apresentação da série sobre a Guerra «tout court», o exército português na altura não estava preparado para uma guerra de guerrilha mas sim para uma guerra convencional. Como ele ou outro participante confirmou, apesar da espumosa apoplexia dum seu «camarada» de armas, defensor da tese da vitória militar das Forças Armadas Portuguesas em 1974, Salazar foi antecipadamente informado pelo Governo norte-americano da revolta da UPA, que apoiava e financiava. Salazar nada fez para evitar os massacres e após o falhanço do ingénuo golpe palaciano de Botelho Moniz pronunciou o célebre «Para Angola em Força».
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As primeiras forças expedicionárias portuguesas foram recebidas em delírio ao desfilarem garbosamente em Luanda na mítica e bela Avenida Marginal Paulo Dias de Novais (embora adolescente, eu estava lá).
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Será verdade que breve o entusiasmo dos «brancos» se transformou em menosprezo face aos «maçaricos» mal armados, que morriam como tordos, e cujas armas obsoletas lhes rebentavam na cara, como passou a constar mais ou menos em surdina?
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Sem ofensa, podem oficiais do Quadro Permanente, «profissionalizados» nas «artes» da guerra, puxarem lustro aos galões, mas terá fundamento a opinião dos brancos, pelo menos em Luanda, de que eles limitavam-se a ficar na rectaguarda, a partir de certa altura «cansados» de sucessivas comissões e de andarem com a casa às costas?
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Pode haver quem louve o «democrata» militar profissional de carreira General Spínola, apoiante e observador das tropas nazis durante a invasão da URSS perante o «silêncio» e passividade dos «manos» democratas republicanos protectores de nazis após a fantochada do Tribunal de Nuremberga ou da condenação à morte de Eichmann pelos sionistas do artificial Israel (que esteve para ser em Madagáscar ou no Sul de Angola), como Churchill (o da cortina de ferro) e F. D. Roosevelt ou Truman (o da Guerra Fria, criminoso de guerra e responsável pela destruição de Hiroshima e Nagasaki), «pai» de McCarthy, ou medíocres actores como Reagan's, mulherengos e viris Kennedy's' ou Clinton's, (com o beneplácito de Jacqueline's «Onassis» ou Hilary's) ou «geniais» Bush, estrénuos defensores dos direitos humanos e de todos os golpes fascistas na América Latina ou no chamado 3º Mundo perpetrados na sombra mais ou menos encoberta da Companhia ou de másculos «travestis» e tarados sexuais.
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Mas que os distingue face a por eles considerados «criminosos», «terroristas» e/ou «ditadores», «inimigos da Liberdade e dos Direitos Humanos», alguns poderosos «patrões» e outros simples «marionetas» como Estaline,
Pol Poth, Park Chung Hee, Ho Chi Minh, Mao Zdong, Tito, Yasser Arafat (Prémio Nobel da Paz), Fidel Castro, Nelson Mandela (Nobel da Paz que ainda hoje figura na lista dos «terroristas» elaborada pelo Tio Sam), Muammar Kadafi, Milosevic, a URSS ou a China «Popular» ou Chavez, enquanto deram ou dão apoio a impolutos Uribes, Vargas, Castelo Branco e Companhia, Péron, Videla, Castillo Armas, Salazares, Francos, Pinochets, Bin Laden, Papa Doc's, Fulgêncios, Trujillos, Noriegas, Idi Amin Dada, Mosh Dayan, Mobuto, Tschombé, Savimbi, Holden Robertos, Suharto, Marcos, Saddam, Reza Pahlavi, Faiçal ou Fahd, Ngoh Dim Dien, Van Thieu, Park Chung Hee, Chiang Kai-Chek, ou defensores do Apartheid como Ian Smith, Daniel Malan e P. Botha e uma infindável lista de democratas defensores dos direitos humanos, transformados alguns em terroristas, ou inimigos da humanidade quando tiveram a veleidade de enfrentarem «a Voz do Dono», sem falar em Hitller, Hirohito, Vichy ou Mussolini, impunes até à derrota nazi na Batalha de Estalinegrado, [reedição da Napoleónica Batalha de Moscovo], volte face que permitiu mais tarde, no século XX, o arranque do Exército Vermelho mas impediu a sua imparável avançada até às praias de Portugal porque entretanto e finalmente os restantes «aliados» acordaram e resolveram finalmente ouvir os apelos da URSS para abrirem a «frente ocidental» e desembarcar na Europa, a Sul de Itália e na Normandia (ver O Dia D), após a fuga de Dunquerque (Batalha de Dunquerque) e a resistência europeia, sustentada também pelos partidos comunistas e outros democratas não colaboracionistas, incluindo Charles de Gaulle ?

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Apesar das semelhanças, há diferenças. Napoleão espalhou as ideias da Revolução Francesa por toda a Europa, apesar de as ter traído quando depois de brilhante general ao serviço da República, de consul se auto-proclamou Imperador. O Czar de Todas as Rússias era um déspota feudal e defensor da servidão da gleba.Adolf Hitler era um defensor da superioridade ariana (embora ele e a sua corte não fossem louros, altos e de olhos azuis como as Waffen-SS) enquanto a URSS era povoada por duas raças sub-humanas a exterminar: os eslavos e os judeus, escravos de Krupp, Schindler, nas suas grandes ou pequenas indústrias. Não confundir com a Schindler Portugal, ou Aristides de Sousa Mendes, defendido na RTP pelo insuspeito José Miguel Júdice, contradizendo 0 popular José Hermano Saraiva.

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A Série sobre a A Guerra Colonial de» Joaquim Furtado recentemente transmitida pela RTP e distribuída presentemente pelo tablóide Correio da Manhã - líder de vendas - conjuntamente com a colecção «Os Anos de Salazar», mas ignoradas pela imprensa de referência e «desprezado» pelos «intelectuais» e pelas «classes» alta e média alta, abriram os olhos a «retornados» e «ex-combatentes» provenientes da ralé e compulsivamente incorporados nas Forças Armadas Portuguesas, integradas na superioridade dos «brancos» e da «civilização ocidental cristã (católica)», a tal que se horrorizava perante os «sacrifícios» sangrentos das civilizações pté-colombianas, que exterminou apesar de cientidicamente mais avançadas, tal como os árabes (mouros), chineses e japoneses, enquanto apadrinhava sangrentas guerras religiosas na Europa e torturava Galileu e outros «hereges», quando não os queimava nos autos de fé em tudo idênticos aos sacrifícios dos maias e de cristãos, estes pelo imperialismo romano (o tal da paz dos cemitérios) santificados e mortos nos «Coliseus», subversivos monoteístas então condenados à clandestinidade das Catacumbas.
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Quanto ao inefável estratega e herói do 25 de Abril, de seu nome Otelo Saraiva de Carvalho, não passa dum verborroico, como muitos ultra-revolucionários acérrimos inimigos do «social-fascismo», agora convertidos às delícias do capitalismo e seus serventuários. Eles eram os «Pinta-Paredes», os impolutos ultra-revolucionários maoístas, simples barretes morgadios, de falso tesão, filhos de Sant'Annas de Portas Abertas, conservados em salmoura, ontem estrénuos defensores da demo-cracia ou da Liberdade e do Zé Papa-Açordas ou inimigos do capitalismo de Estado da URSS e defensores da Revolução Cultural do bando dos quatro, hoje renegados de Mao Zdong e acérrimos adversários dos «amarelos» da milenar China e mergulhados na Lama.
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Em 25 de Novembro de 1975 o grande Otelo pôs os seus adeptos na rua e foi para casa dormir, incomunicável, indiferente ao desencadear duma guerra civil. O «comandante» e notável estratega deu luz verde às suas «tropas» e depois zarpou.
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Ultra-revolucionário candidato às eleições Presidenciais contra Ramalho Eanes, o estratega do 25 de Novembro (ver os depoimentos, «registos» para a verdadeira HISTÓRIA, do
Tenente General Tomé Pinto, do General Silva Cardoso, do Contra ventos e marés .... João Brandão Ferreira - TCor Pilav (Ref), do Coronel Amaro Bernardo, do Almirante Rosa Coutinho, do General Gonçalves Ribeiro (A BATALHA DE LUANDA), do General Galvão de Melo, do Coronel Matos Gomes, de Pires Veloso, (General na Reforma, o encoberto e verdadeiro estratega do 25 de Novembro?) ... retomando o fio à meada Othelo contra Octávio Pato, candidato do PCP.

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Onde estão a A Verdade e a A Mentira?

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O grande Otelo, estratega do 25 de Abril, confessou anos mais tarde, «candidamente», que apesar de candidato votara no «adversário» Ramalho Eanes, porque «a democracia já estava consolidada». Santa ingenuidade daqueles de cujo voto se aproveitou e traíu para permitir a vitória de Ramalho Eanes e limitar a votação no PCP. As autodenominadas Forças Populares do 25 de Abril, lideradas pelo «ingénuo» Otelo, acusadas de bombistas e de crimes de sangue, foram julgadas e condenadas, enquanto as gémeas forças do Exército de Libertação de Portugal ou do Movimento Democrático de Libertação de Portugal lideradas pelo «Marechal» Spínola, Alpoim Calvão, Cónegos Melo e Ferreira Torres nunca foram levados à barra do Tribunal nem por isso precisaram de amnistias, pelo que morreram em cheiro de santidade e sem escândalo. Talvez um dia sejam transladados pera o «Panteão» Nacional, já que não possuem sangue azul que lhes permita repousar em S. Vicente de Fora.

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Com lágrimas de crocodilo choram-se os mortos pela Guerra Civil em Angola, aponta-se o dedo ao MPLA e a Cuba, mas deixam na sombra a UNITA, Savimbi e o exército racista da União Sul Africana. Chora-se a «traição» dos que deixaram os Flechas no terreno e que foram fuzilados, mas não se diz que o mesmo fizeram os EUA aos colaboracionistas no Vietname enquanto os últimos americanos fugiam como ratos embarcando nos helicóperos no telhado do edifício da «sua» embaixada. Choram-se os mortos e as vítimas da «barbárie» após a descolonização portuguesa, mas deixam-se na sombra os milhões de mortos no Iraque, na Indonésia, em Dresden, em Hiroshima e Nagasaki, nas colónias europeias ou no quintal do Tio SAM. Censura-se Iago, mas esquecem que a pacífica Revolução dos Cravos teve poucos mortos e esses foram provocados pela «valerosa» PIDE ou pelos bombistas do ELP/MDLP, a norte de Rio Maior. Enquanto isso, elogia-se a Padeira de Aljubarrota, que assassinou à pazada derrotados, perdidos e assustados castelhanos, ou admira-se a populaça que assassinou os derrotados e fugitivos soldados napoleónicos e aplaude-se o assassinato de Miguel de Vasconcelos, o traidor.

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Quanto à «traição» de Álvaro Cunhal, a «soldo» de Moscovo ou de Mário Soares, também a «soldo» de Moscovo para uns, «agente» da Companhia» para outros, é bom recordar que a cadeia de comando foi quebrada nas colónias pelo pé descalço «miliciano» cansado da guerra e em Portugal por aqueles que então gritavam «Nem um Soldado para as Colónias, Já!» em nome da «Revolução a Todo o Vapor», hoje sentados nas poltronas do Poder que diziam combater, pagos por Roma a troco duma travessa recheada de lentilhas, clari-videntes visionários de argueiros no olho do vizinho mas cegos da trave que lhe tapa o olhar, ou «horrorizados» e assépticos investigadores sociais e/ou «opinion makers» que então se apresentavam como os verdadeiros comunistas ou reorganizadores do partido do proletariado. . É da História que apenas Ramalho Eanes e Álvaro Cunhal se opuseram á aceitação da ocupação de Timor Leste pelas «democrática» Indonésia, com o beneplácito protector do Tio SAM, que exterminou milhares de resistentes timorenses que mal sabiam falar português, tal como os negros em África antes da independência ou a generalidade dos goeses do «Estado» Português da Índia.


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(1) comentários ao texto Dois intelectuais distraídos e um provedor paternalista, do Cor. Manuel Amaro Bernardo

(2) anedotas idênticas às que portugueses contam dos galegos ou dos alentejanos, que brasileiros contam dos portugueses ou de brancos sobre os negros e «mouros».

(3) Adam Hochschild - O Fantasma do Rei Leopoldo

(4) Joseph Conrad - Coração das Trevas (Heart_of_Darkness)

(4) - O Luso-Tropicalismo de Gilberto Freire e Lusofonia e Luso-tropicalismo
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Portugal: descolonização exemplar ou traição criminosa?

Mapa Francês de África (c. 1898) com as reclamações coloniais. Posses Alemãs a verde; posses Belgas a laranja; Britânicas a amarelo; Francesas a rosa; Portuguesas em púrpura; e a independente Etiópia a castanho. (Partilha_da_África)
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Períodos das independências dos países africanos
(História da colonização)
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* Victor Nogueira
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Ao contrário dessa autêntica fraude histórica que é Otelo Saraiva de Carvalho, não tomei notas para a posteridade e sou um Zé Ninguém face a «homens» da envergadura daquele ou do Senhor General Silva Cardoso [1]

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A história é normalmente «escrita» pelos vencedores e pela classe dominante, pois os dominados são geralmente «analfabetos» e da sua visão ou versão ao longo da história poucos testemunhos restam. E alguns desses são escritos por «trânsfugas» como Bartolomeu de Las Casas, António Vieira duma outra Companhia, ou cuja «escrita» foi revelada pela descoberta da Pedra da Roseta, devido a «traidores» ao «espírito» da Revolução Francesa, como Napoleão, combatido pelas retrógradas forças que defendiam a «Ordem» coligados numa Santa Aliança, derrotadas pelo seu génio militar.

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Paradoxalmente o minorca e então brilhante e genial estratega militar mas desprezado corso espalhou por toda a Europa os ideias da Revolução Francesa, «Liberdade, Igualdade e Fraternidade» e permitiu o desenvolvimento do capitalismo e o domínio da então «progressista» burguesia, que então mas não hoje proclamara que «Só não há Liberdade para os inimigos da Liberdade!».

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O então poderoso Buonaparte coroou-se a si próprio imperador, humilhando o Papa Pio VII, a quem voltou ostensivamente as costas Sumo Pontífice defensor da origem divina do Poder Monárquico parasitário e Absolutista aglutinado numa Santa Aliança, em contraposição ao Poder Popular falsamente defendido pela Burguesia ou 3º Estado, senhora de facto da nova Ordem e então progressista modo de produção capitalista, hoje travestido de «liberal» «economia de Mercado», apropriando-se dum sistema de troca e determinação do valor das mercadorias de existência milenária em todo o mundo, coexistindo com sistemas de Governo baseados na Escravatura ou na servidão da Gleba.

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Buonaparte foi um génio militar com tácticas inovadoras, tal como Júlio César, Alexandre o Grande, Aníbal, Gengis Khan, Filipe da Macedónia, Nuno Álvares Pereira, Vo Nguyen Giap, Nzinga Mbandi Ngola, os árabes que ocuparam a península ibérica e portadores duma civilização superior e mais tolerante que a dos intolerantes e mal-cheirosos cristãos, assim considerados pelos Japoneses.

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Robespierre, o grande «terrorista» vermelho, foi guilhotinado pelos «brancos», cujo terrorismo homens como os herdeiros da «Brigada do Reumático» esquecem. E Marat, o amigo do povo, foi assassinado à traição, tal como o anti-esclavagista Abraham Lincoln. Na altura a guilhotina foi um processo de execução da pena de morte muito mais civilizado que o utilizado pelas «parasitárias» Monarquias Absolutas, pela Santa Inquisição, pelos EUA ou mesmo pelo então «progressista» Marquês de Pombal. Note-se que não sou adepto da pena de morte, de linchamentos ou de julgamentos sumários.

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Vem o senhor General Silva Cardoso, na esteira de outros políticos apolíticos com a defesa de que a independência das colónias deveria resultar dum referendo às populações locais. Espantoso. Salazar/Caetano alguma vez realizaram eleições livres em Portugal ou nas colónias? Salazar/Caetano alguma vez permitiram a discussão do problema das colónias? Salazar/Caetano alguma vez aceitaram negociar com os movimentos de libertação para uma descolonização pacífica? Salazar e Caetano alguma vez admitiram a capacidade eleitoral e a consciência autodeterminada e a cidadania dos portugueses, sobretudo das mulheres, e dos povos das colónias? Aliás, alguém põe hoje em causa a independência de Portugal, dos Estados Unidos, do Brasil, entre muitas outras, feitas por minorias de vassalos ou colónos pela força das armas e sem qualquer consulta popular prévia? Alguém na altura «consultou? os servos da gleba ou os índios, alguns deles portadores de culturas «superiores» às dos colonos «europeus», nas Américas que já existiam antes das descobertas de Vespucci, Colombo, Cabral, Cortz ou Pissarro ou dos
«Pilgrim Fathers ?

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Salazar manobrou habilmente para se tornar o chefe todo poderoso dum regime nascido duma sedição militar encabeçada por sediciosos Generais e tenentes, mantido com a ajuda da censura dos coronéis do lápis azul e Presidentes da República recrutados nas Forças Armadas pelo partido único permitido União Nacional/Acção Nacional Popular e apeado pelos sediciosos capitães de Abril apesar das reverências dos generais da brigada do Reumático, com excepção de Spínola e Costa Gomes!

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Seguindo o pensamento do Senhor General Silva Cardoso, será fundamentada a minha «impressão» que os oficiais do Quadro Permanente que estiveram por detrás do «sedicioso» Movimento das Forças Armadas ou aceitaram fazer parte da heterogénea Junta de Salvação Nacional, quebraram o voto de fidelidade ao regime que livremente juraram defender, perdendo deste modo a honra militar? Se tivessem sido derrotados, apesar do apoio espontâneo das populações, que destino lhes reservariam o Almirante Américo Tomaz e o General Kaúlza de Arriaga? Ou da «vacina» de Kissinger que «inteligentemente» Mário Soares e Carlucci conseguiram convencer ser desnecessária, evitando-a?

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Tivesse vencido a ala spinolista em 11 de Março, que destino teria sido dado aos capitães de Abril? Que destino foi reservado a muitos deles após o 25 de Novembro de 1975, apesar de não terem vencido as ideias do Coronel Jaime Neves? Que democracia existiria em Portugal? Uma igual àquela que agora revela a sua face verdadeira, a «pura», iniciada com Mário Soares, Ramalho Eanes e prosseguida por Sá Carneiro e Cavaco Silva e em vias de «consolisação» por José Sócrates, que agora «preocupa» tanto general democrata envolvido no 25 de Novembro?

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Depois há quem esteja sempre a aprender, talvez devido a uma congénita ingenuidade e falta de massa cinzenta. Mário Soares apoiante do MPLA e de Agostinho Neto? E a minha «fraca» memória regista que à revelia da Internacional Socialista ele não reconheceu o MPLA mas mantinha relações preferenciais com a UNITA e Savimbi! A Internacional Socialista a «soldo» de Moscovo? O Papa Paulo VI ingénuo cegueta ao receber os representantes da Frelimo, do MPLA e do PAIGC, para desespero de Salazar? E como classificar a heterogénea Organização da Unidade Africana que desde sempre reconheceu estes três movimentos «terroristas» como legítimos representantes dos respectivos povos, que retirou o apoio à FNLA e só em 1975 reconheceu a UNITA?
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Wiriamu um massacre inexistente ou um «dano» colateral numa guerra «limpa» e civilizada, onde aos «terroristas» eram reconhecidos os direitos da Convenção de Genebra, tratados com todo o amor, ternura e carinho militares característicos do luso-tropicalismo? Nem um massacre das populações negras perpetrados pelos brancos ou pelas Forças Armadas Portuguesas? E que dizer da «liberdade» das populações negras em serem obrigatoriamente «acantonadas» em povoações aquarteladas? Corrijam-me se a minha perplexidade não tem fundamento! Tivesse funcionado a vacina e nunca teria havido o exemplar processo de «transição» em que Franco «Caudillo de España por la Gracia de Dios » [e de Hitler e Mussolini] outorgou a Juan Carlos, o tal «democrata» do «“porque no te callas”»? Tal como Spínola e Marcelo, à revelia de Américo Tomaz e Kaúlza de Arriaga, terão tentado ensaiar para que o Poder não caísse na rua?

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Portugal não esteve presente quando o MPLA proclamou a independência de Angola e foi um dos últimos a fazê-lo, quando muitos países do «Mundo Livre» já o haviam feito. E se o Português tem a expansão mundial que tem, não é devido à política «civilizacional» de Salazar/Caetano e dos Governos saídos das eleições «livres» após 25 de Novembro de 1975, mas ao facto de o português ter sido adoptado pelos Governos post independência para cimentar a unidade nacional de colónias artificialmente desenhadas a régua e esquadro na Conferência de Berlim, separando e juntando povos diferentes, e porque a ONU decidiu que as independências descolonizadoras deveriam respeitar essas fronteiras artificiais.

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Estarei enganado e falho de memória ao escrever que o racista general Norton de Matos, opositor de Salazar e também insuspeito de simpatias comunistas queria transferir a capital do Império para o centro de Angola, numa cidade criada de raíz chamada Nova Lisboa, depois capital de Savimbi e da UNITA? Estarei enganado ao pensar que Champalimaud após o falhado Golpe das Caldas defendia o desenvolvimento e aproveitamento local das matérias primas com a industrialização dos territórios ultramarinos? Terei lido mal um discurso de Champalimaud em que este defenderia a mudança da capital de Portugal para Angola? Se não estou enganado, Champalimaud um traidor à Pátria a soldo de Moscovo?

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E eu a pensar que o slogan «Nem um soldado para as colónias já!" e a «Revolução a Todo o Vapor» eram palavra de ordem dos maoístas e outros ultra-revolucionários inimigos do «social-fascista» PCP, que apoiavam o «ultra» Otelo! Durante a guerra colonial havia apenas dois partidos organizados nas Forças Armadas Portuguesas: os apoiantes compulsivos ou não da União Nacional/Acção Nacional Popular bem como os oficiais da geração NATO, anti-Pacto de Varsóvia, e os membros do Partido Comunista Português que não se exilaram na Europa, antes receberam instruções para aceitarem a incorporação compulsiva nas Forças Armadas Portuguesas, que em 25 de Abril, apesar da «honra», «ética» e «lealdade» militares, com uma única «honrosa» mas esquecida e solitária excepção, não saíram à rua em defesa dum regime político apodrecido que há muito deixara de ter apoio dos Estados Unidos da América e dos Países Nórdicos. Corrijam-me, se estou enganado.

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Alguém obrigou as licenciadas tropas locais negras a aderirem ao MPLA? Um «crime» este ter pedido o auxílio de Cuba e da URSS face ao «desinteressado» auxílio militar estrangeiro prestado por um corrupto Mobutu ou pela racista e internacionalmente condenada União Sul Africana? Militarmente derrotado o MPLA? E então qual a situação da UNITA? Estão enganados aqueles que dizem que esta foi uma criação do General Costa Gomes e da PIDE, explorando o tribalismo para atacar como aliado o «nacionalista» MPLA?

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Lembro-me duma entrevista na Televisão Portuguesa feita em simultâneo ao engenheiro Eduardo dos Santos e ao Dr. Jonas Savimbi: à mesma pergunta do jornalista, o primeiro afirmou que o MPLA reconheceria e aceitaria o veredicto popular. Já Savimbi afirmou que apenas aceitaria a vitória da UNITA. É verdade ou não que os resultados eleitorais, favoráveis ao MPLA em eleições cujo resultado foi internacionalmente reconhecido, foram recusados pela UNITA, o que deu origem à sangrenta guerra civil angolana, solicitando e aceitando Savimbi o apoio do regime do Apartheid, internacionalmente condenado?

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Critica-se Rosa Coutinho por ter desarmado os brancos em Luanda, os mesmos «não racistas» que vítimas de lavagens ao cérebro durante treze anos, da cegueira de Salazar e da tibieza de Marcelo, em Angola e Moçambique tenham pedido a intervenção da União Sul Africana e apoiado a RENAMO e a UNITA? Que seria da unidade angolana e dos portugueses se Savimbi tivesse ganho a guerra? Quem teriam apoiado a maioria dos brancos de Angola se em Luanda estivessem armados e envolvidos na guerra entre a UPA/FNLA, a UNITA e o MPLA? Quantos teriam regressado vivos a Portugal, onde o seu dinamismo e «vistas largas» de muitos foram um alento para o desenvolvimento económico e refizeram com mais ou menos sucesso a sua vida, com olhos no futuro e genericamente integrados na democracia nascida com o 25 de Abril?

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[1] - Angola, Anatomia de uma Tragédia, do General Silva Cardoso
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ver também este artigo da Wikipedia Guerra Colonial
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origem dos mapas - Wikipedia
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