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domingo, 18 de novembro de 2007

Do rio que tudo arrasta ... (2) - Com os pés assentes na Terra


* Álvaro Cunhal
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"Numa sociedade em que há classes dominantes e há classes dominadas, aqueles que escrevem a História pertencem em geral às classes dominantes e escrevem a história com critérios da sua classe. Há sem dúvida historiadores que, situando-se social e ideológicamente no âmbito das classes dominantes, procedem a uma investigação séria. Mas é muito raro fugirem a critérios de classe na investigação e na apreciação e valorização relativa que fazem dos problemas e dos acontecimentos."
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"A história do comunismo, do movimento comunista, é no fundamental, embora num percurso acidentado, a história de uma luta social constante na defesa dos interesses e direitos dos explorados e oprimidos, tendo como objectivo construir uma sociedade nova e melhor, o que implica confiança no ser humano e exclui a crença em formas sobrenaturais, que decidam do seu destino. Os objectivos e a luta dos comunistas hoje são inseparáveis dos objectivos e da luta desde o Manifesto Comunista de 1848. A Igreja católica pouco tem a ver com os primeiros cristãos que eram perseguidos. Aquele aquem se atribui a fundação da Igreja, S. Pedro, foi crucificado e de cabeça para baixo. Quando, alguns dizem que Cristo foi o primeiro comunista, atribuem-lhe ideias e comportamentos com os quais pouco ou nada têm a ver as ideias e os comportamentos da Igreja Católica ao longo dos anos, pois ela se tornou um elemento integrante do feudalismo, e depois do capitalismo, a não ser em alguns dos seus sectores que retomam as melhores ideias e comportamentos atribuídos a Cristo. No movimento comunista e na concretização dos seus objectivos registaram-se, graves situações e fenómenos que se afastaram dos ideais sempre proclamados pelos comunistas. Mas, se se fala em comunismo hoje, eu só compreendo mantendo e defendendo esses ideais e não renegando as grandes realizações e o património de luta de gerações e gerações de comunistas. Os comunistas não têm uma concepção ideológica separada de uma intervenção prática. Ao contrário da Religião, não aceitamos o conformismo e a resignação. Não estamos a lutar por uma concepção; estamos, com uma concepção, a lutar pela solução de problemas concretos da humanidade e por uma transformação da sociedade que os resolva. Estamos cá na terra, com os pés assentes na terra."
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Fonte - Wikiquote: Álvaro Cunhal.
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Do rio que tudo arrasta ... (1)



* Victor Nogueira
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O rio a que Brecht se refere metaforicamente, são «o povo» ou os «trabalhadores», isto é os oprimidos e alienados pela classe dominante ao longo de milénios. E o transbordar das margens, não é uma «revolução» como a dos cravos, mas como as que têm ocorrido ao longos dos tempos, desde os escravos, passando peloa camponeses pobres, pela Comuna de Paris, pelas revoluções de 1848 na Europa, a de 1910, no México, pela de Outubro de 1917 na Rússia, das de 1918 pela Europa, e muitas outras desde então.
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Abortadas? Por agora, talvez sim. Mas depois do inverno, a semente enterrada no solo germina. Pois até o capitalismo, desde há séculos, sofreu avanços e recuos e mesmo hoje em dia ainda não se impôs em todo o Planeta Terra nem é o fim da história.
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Mas se tudo isto não explodir antes, se conseguirmos rebentar com as margens, o rio será depois sereno e sem barreiras, para todos e cada um dos sobreviventes. Assim o acreditamos muitos de nós por todo o mundo e ao longos dos milénios. Porque o Inferno, o Purgatório ou o Paraíso ou são neste Mundo ou não são!
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«Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.» (Bertolt Brecht).
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Encontra de Bertolt Brecht aqui mais Poesia ou nesta Antologia Poética. A imagem é uma gravura japonesa de Katsushika Hokusai e foi retirada de terra da alegria.