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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Alepo, Rui Tavares e o "Público"



* Victor Nogueira

A propósito dum artigo do "historiador" Rui Tavares sobre Alepo e a intervenção da Rússia contra o Daesh, afirmando que é errado apoiar o Imperialismo Russo, pois deste modo se tornará a UE mais dependente dos EUA. E Rui Tavares termina o seu arrazoado deste modo: 

"Posso apenas lançar um alerta a todos aqueles que de forma bem-intencionada acreditam que aceitar o imperialismo russo é uma forma de limitar o imperialismo norte-americano. Considerem a possibilidade de estar enganados: historicamente, os imperialismos conviveram bem entre si desde que consigam dividir o mundo em esferas de influências. É isso que Putin quer e que Donald Trump lhe está disposto a dar. Isso não só tornará certas regiões do Leste europeu mais sujeitas ao poderio russo como não deixará de nos tornar a nós mais vulneráveis ao poderio dos EUA. Ficaremos menos, e não mais, independentes, e só escaparemos a este destino se formos capazes de reforçar e democratizar a construção da União Europeia.

Quanto àqueles que torcem deliberadamente para que Putin leve a cabo o seu plano, direi apenas que a sua co-responsabilidade moral pelo esmagamento de Alepo não será esquecida."


A Torta Chinesa, de Henri Meyer, publicada em 16 de janeiro de 1898 no Le Petit Journal, na França.

E EU COMENTO: Os imperialismos convivem bem uns com os outros ? E eu a pensar que a Conferência de Berlim, em 1885,fora uma tentativa de várias potências capitalistas partilharem "pacificamente" África, pois a América já Monroe decidira que essa era para os "americanos" dos EUA.Como aliás anteriormente fora partilhada a Ásia em detrimento da China. .O que não impediu o deflagrar das duas grandes guerras mundiais e muitas outras larvares desde então.

OPINIÃO

Alepo e nós

Como seria se tropas da UE, sob pretexto de perseguirem terroristas do ISIS que estão noutra parte do país, tivessem decidido bombardear as posições de Assad a população de Damasco com muito mais poder do fogo do que alguma vez tivessem usado na luta contra o terrorismo?


https://www.publico.pt/2016/12/02/mundo/noticia/alepo-e-nos-1753374

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O 4 DE FEVEREIRO DE 1961 E A GUERRA COLONIAL





Praticamente desde o século XVI os povos de África resistiram à ocupação dos seus territórios pelos europeus e ao tráfico de escravos, sobretudo para as colónias americanas e para o que viria a ser os Estados Unidos da América. A partir da Conferência de Berlim em 1885, que procedeu à partilha de África e não só de acordo com os interesses do desenvolvimento capitalista, verificou-se a ocupação efectiva dos territórios. No que respeita a Portugal, este no final da Monarquia e durante a 1ª República procedeu às chamadas Campanhas de Pacificação, vencendo a resistência dos africanos devido à superioridade de armamento. 

Desde então a resistência foi mais ou menos sufocada. Em Janeiro de 1961 os camponeses da Baixa do Cassange, em Angola, (numa área equivalente à de Portugal Continental) iniciaram uma greve contra o regime de monocultura de algodão e contra as condições de trabalho. Esta greve foi sufocada pela aviação militar, metralhando e regando com napalm as populações originando entre centenas e milhares de mortos, a ela não se referindo os órgãos de informação devido à férrea censura fascista.

Em 4 de Fevereiro do mesmo ano de 1961, coincidindo com o desvio do paquete Santa Maria e as greves em Portugal, as cadeias de Luanda foram assaltadas para a libertação de presos políticos. Os assaltos, posteriormente reivindicados pelo MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) falharam e em Luanda seguiram-se tempos de massacre das populações dos muceques da periferia da cidade, perpetrados por civis brancos armados.

Em 15 de Março de 1961 a UPA (União dos Povos de Angola), apoiada pelos EUA, desencadeou no Norte de Angola um ataque e a chacina de fazendeiros e suas famílias nas roças de café e dos respectivos trabalhadores bailundos, do Sul de Angola, usados para quebrar a resistência dos camponeses do Norte dentro do princípio do dividir para reinar, como sucedia em Portugal no Alentejo. 

O Governo de Salazar sabia da preparação da revolta mas nada fez para evitá-la. Falhada a conspiração do General Botelho Moniz, Salazar e o seu governo resolveram ir "Para Angola e em Força". Nesse mesmo ano a União Indiana ocupou os territórios do chamado Estado da Índia e nos anos seguintes iniciou-se a guerra colonial em Moçambique e na Guiné.

O 4 de Fevereiro de 1961 marca pois o início da guerra colonial, a que o 25 de Abril de 1974 pôs termo, apesar da resistência e oposição do General Spínola e das ambiguidades posteriores de Mário Soares/PS.
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