Mostrar mensagens com a etiqueta Alberto Caeiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alberto Caeiro. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ainda e de velho o Estado Súcial fiho do Estado "Novo" a que isto chegou e saídas para a crise ! (Sequela)

Victor Nogueira
António, Saramago não é Deus e nem sempre temos de concordar com ele, também podia dizer dislates, como qualquer ser humano.Um cidadão, qualquer que seja a sua profissão, deve exercer os seus direitos de cidadania. E reflecti-los naquilo que faz. Mas não me posso esquecer dum senhor Duarte Pio que ficou "horrorizado" com o "Evangelho segundo Jesus Cristo", não pk o tivesse lido mas pk lho haviam dito e depois este ano foi comemorar em Guimarães não o centenário da República mas da assinatura do Tratado de Zamora, no seu discurso enfiando Eça, talvez pk nunca tivesse lido ou alguém lhe tivesse feito a digestão ao ouvido de"A Relíquia" ou o "Crime do Padre Amaro", para além das "Farpas", estas em parceria com Ramalho Ortigão. 
.
Ou dum tal Sousa Lara, subsecretário de Estado da inCultura que "vetou" o mesmo romance, como outros "Caim" e nunca devem ter lido Alberto Caeiro ou a "Velhice do Padre Eterno", de Guerra Junqueiro. Mas e assim, mal por mal, antes a república. Não quer votar? Não vote. Mas lute por aquilo em que acredita ! E se acredita que o Capitalismo é o fim da História, eu limito-me a registar e a contar com milhões de homens e mulheres que, com avanços e recuos, com imperfeições, procuram construir uma sociedade radicalmente diferente, onde a Humanidade e a Natureza conduzam a vida na Terra ! Sem reis, capatazes ou senhores morgados
.
.
.
.
cantamautores | 17 de Fevereiro de 2009
CANTAM AUTORES - Ao Vivo, Interpretam "O Senhor Morgado" tema de Adriano Correia de Oliveira.
.

Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

O senhor Morgado


O Senhor Morgado, vai no seu murzelo
Todo empertigado, é um gosto vê-lo.
Próspero anafado, véstia alentejana,
Calça de riscado, homem duma cana.
Vai, todo se ufana, de ir tão bem montado.
E ela da janela, seja Deus louvado,
Seja Deus louvado, Seja Deus louvado.
O Sr. Morgado, vai nas próprias pernas
Todo bambeado, tem palavras ternas.
Para cada lado, quando passa sente,
Que é temido e amado, fala a toda a gente.
Topa um influente, sou um seu criado.
Eleições à porta, seja Deus louvado,
Seja Deus louvado, Seja Deus louvado.
O Sr. Morgado vai na sege rica
Todo repimpado, ai que bem lhe fica.
O chapéu armado e a Comenda ao peito,
E o espadim ao lado, que homem tão perfeito.
Deputado eleito, muito bem votado.
Vai para o Te-Deum, seja Deus louvado,
Seja Deus louvado, Seja Deus louvado.
Adriano Correia de Oliveira
 
.
.
.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Postal (20) -- Évora - 1972 (2)

* Victor Nogueira
.
.

Paço de Arcos
72.09.04
MCG

(humorístico)

Miúdos

Passei eu pela tabacaria para comprar um postal para [a minha tia] Maria Teresa que faz amanhã anos e dei com vários postais engraçados, um dos quais me deu (e está dando) uma enorme vontade de rir. Aqui to envio, com abraços e beijos. VM


Paço de Arcos
72.09.06
MCG

Lisboa, Castelo de S.Jorge, flamingos

Ora viva, amiga Celeste, como vai esse valor ? Depois duma carta tão "profunda" como a que te enviei hoje, aqui ficam mais um recanto do Castelo de S.Jorge e uma historieta do "Século" com certa piada. Cordiais saudações e abraços do VM


Paço de Arcos
72.09.12
MCG

(Arte)
Vayreda,

Estio (fragmento)

Viva, C.

Saio de casa na brasa e consigo chegar aqui a tempo de escrever estas linhas e apanhar a tiragem das 12 h. Recebi as tuas cartas ontem (2 cartas e 1 postal !) Puxa!


Gostas do postal, gostas? Ora, uma sonhadora realista como ela, gazela campestre, não houvera de gostar destes verdes todos, mais o riacho e as meninas e as árvores e animaizinhos ... Inté ouves os passsarinhos chilreando e o rumorejar das águas. Vejam lá!


Bem, resolvi ir para Évora no dia 20. Encontramo nos em Beja nesse dia?


Até lá saudades e abraços do VM


Paço de Arcos
72.09.13
MCG

Lisboa, Alfama

Cá estamos novamente para um passeio pela Alfama. O que me chamou a atenção neste postal é a vida que ele contém ! Alfama será um bocado isto: as ruas estreitas, as sacadas florida, as gaiolas penduradas, a roupa estendida à janela, a mercearia com bata nova a 2$00 o kg [1972]. Lá estão também os miúdos que brincam, o homem da pipa (será o aguadeiro ?), a mulher com a criança ao colo, mais pessoas na sombra ... E até não falta a torre sineira duma igreja que não identifico!


Que mais dizer te? Da minha chateação e cansaço pela contrariedade dos exames? Das minhas saudades tuas e também (porque não?) de Évora e da malta, como o Camilo que me escreveu hoje?


Tenho recebido as tuas notícias. E se mo permitisse passava horas a escrever te. Mas como o estado de espírito em que me encontro (por causa dos exames) seriam cartas "chatas" para os dois e talvez inoportunas. Espero que me escrevas, mesmo que recebas apenas breves postais como este. OK Celestinha? No dia 20, ido de Lisboa para Évora, encontrar nos emos em Beja. Até lá abraços e beijos do VM


Paço de Arcos
72.09.15
MCG

Lisboa, Elevador de Santa Justa

Da Alfama medieval para a Baixa Pombalina, eis a rota do nosso passeio. Também gosto desta "vista". Repara que enquanto Alfama é residencial, a Baixa é essencialmente comercial. Uma única semelhança: os candeeiros das iluminação pública [1972]. Anúncios luminosos, automóveis, e ruas mais largas são o contraste (Quando andava na 4ª classe [em Luanda] e ouvia falar nas ruas do Marquês, imaginava-as em largura à medida das de Luanda ... que têm o dobro ou o triplo destas!). Ao fundo fica o elevador de Sta. Justa, que separa o Largo do Carmo da Igreja do mesmo nome, cujas ruínas se avistam do lado direito - os dois arcos em ogiva. Esta é uma das igrejas da expressão "Cair o Carmo e a Trindade" (após o terramoto de 1755).


Soube que telefonaste ontem. Ao chegar a casa ás tantas da madrugada li a tua carta. Dela te direi que procurei o [Urbano] Tavares Rodrigues para tentar saber com quem te identificavas, Nada mais! Noto que a tua ambiguidade para além do imediato continua. Não me coibirei de oportunamente te falar nisso. Porque não tenho receio de falar nos meus planos e projectos ou comunicar os meus pensamentos. Incomoda me a tua reserva, a tua falta de à-vontade comigo, o teu receio de falares e, assim, comprometeres te. Salut e abraços do VM


Lisboa
72.09.17
NSF

Lisboa, Castelo de S.Jorge

Fiz boa viagem e no avião escrevi uma carta, que deve ter ficado na mala que depositei na estação. Estou com uma tal carga de gripe que só me apetece enfiar me na cama. Ficarei em casa da tia Esperança, talvez até domingo. O horário dos comboios foi alterado. Vou almoçar. Devem escrever me para Évora. Este é o primeiro duma nova série de postais.


Saudades e Abraços. VM


Évora
72.09.27
MCG

Lisboa, Alfama

Do Victor para a Celeste


Ah! querem uma luz melhor que a do Sol!
Querem prados mais verdes que estes!
Querem flores mais belas do que
estas que vejo!
A mim este Sol, estes prados, esta flores
contentam me.

.

Mas se acaso me descontentam
o que eu quero é um Sol mais sol
que o Sol,
O que eu quero é prados mais prados
que estes prados,
o que eu quero é flores mais flores
que estas flores -
Tudo mais ideal do que é do mesmo [modo e da mesma maneira!


(Alberto Caeiro)


(...)

Corre pelos vagos campos até mim uma [brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome; e não [sou eu; sou feliz (...)


(Alberto Caeiro)


Também eu trago a saudade
nos sentidos
Se dissesse que não era mentira


Também eu perdi um cão
casas
rios


Mas hoje
tenho mulher
amigos
e uma saudade mais real
é que me inspira


(António Reis)