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domingo, 25 de outubro de 2015

a pide e o 25 de abril

* Victor Nogueira

Tenho sérias dúvidas que a PIDE e Silva Pais não soubessem da data do Golpe Militar. Esperavam é que Spínola dominasse o Movimento, tanto assim que à revelia do Programa do MFA nomeou um novo Director Geral para a PIDE/DGS e tentou assenhorar-se do poder e mandar os militares recolherem aos quartéis.. Mas a saída dos lisboetas para a rua frustou os planos de Marcelo Caetano e de Spínola. Aliás, de acordo com a Constituição de então o Presidente da República (Tomás) podia livremente nomear e demitir o Presidente do Conselho de Ministros (Marcelo). Este era políticamente responsável perante o PR e não perante a Assembleia Nacional. Mas o PR estava do lado de Kaúlza e não de Spínola. Marcelo Caetano, o jurisconsulto, sabia perfeitamente que não tinha poder legal para passar o poder a Spínola; tratou-se  duma encenação e farsa.. Percebe-se que Silva Pais tenha aconselhdo Marcelo a não se refugiar em Monsanto, percebe-se que tenha considerado aGNR como Guarda Pretoriana fiel do regime, mas o Quartel do Carmo era uma autêntica ratoeeira para servir de refúgio a Marcelo.

Quando a PIDE foi apanhada

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-10-25-Quando-a-PIDE-foi-apanhada

sábado, 27 de setembro de 2014

em 27 de setembro de 1968 - Marcelo sucede a Salazar

Escreve o articulista:

"Muitos, mesmos entre os resistentes antifascistas, criaram grandes expectativas com a nomeação de Marcelo (ter um chefe de governo que não era Salazar constituía, por si só, uma experiência única...) e acreditaram no possível sucesso de uma «evolução na continuidade». Mas foram também muitos os que nunca alimentaram quaisquer esperanças – com razão, o desfecho é conhecido. "

E E ACRESCENTO: Entre os que responderam à chamada de Marcelo da "evolução na continuidade" estava a chmada "ala liberal" da assembleia nacional-fascista que depois do 25 de Abril fundariam o PPD/PSD e a Acção Socailista com Mário Soares que haveria de fundar na Alemanha o Partido Socialista e se separou dos comunistas e dos católicos chamados progressistas e outras forças de Esquerda. Entre os que não deram tréguas ao fascismo de rosto pretensamente humano esteve o PCP


http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/2014/09/2791968-foi-assim.html


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segunda-feira, 31 de março de 2014

1974.03.31 -a última ovação a marcelo caetano

« As multidões manifestam-se contra muitas coisas, mas gostam de vencedores – é bom não esquecer. » , escreve a articulista

* Victor Nogueira

1- Em 31 de Março de 1974, com a contestação à guerra colonial, com a emigração, com as greves, com as dificuldades em recrutar oficiais para o QP, com um 1º de Maio que se previa tumultuoso, com com uma vaga de prisões na forja pela PIDE, Marcelo era um vencedor ? Sim, quase foi em 25 de Abril, quando a inépcia ou a cumplicidade de um MFA(já) dividido permitiu que Marcelo ditasse  que só se rendia a Spínola, que manobrou à vontade, embora  "travado" e com o fiel da balança a mudar devido às multidões na rua, desobedecendo aos líderes militares na Pontinha,  e que contribuíram para que durante largos meses não se  ficasse por uma simples mudança das moscas. Quanto à firmeza das multidões eu poria uma outra questão ? Entre a multidão que ovacionou Marcelo no 31, haveria "arregimentados" pelos caciques, em Portugal inteiro,  e transportados nas célebres "camionetas do regime?

2. - Espontânea ou não, a verdade é que Marcelo, em contagem decrescente, seguramente que aproveitaria a final no Jamor e transmitida pela RTP para "fabricar" o apoio popular que há muito perdera. Incluindo a da guarda pretoriana spinolista.


Marcelo era o homem das encenações e dos gestos teatrais, a partir de certa altura   manietado pelo  "faz que anda mas não anda”. Para além das "conversas em família" foi assim com a da Brigada do Reumático na Assembleia Nacional, ou com a votação na AN da moção sobre a "política ultramarina", de que eu falava nessa altura:

«Pois é, após uma semana muito agitada por parte das altas personalidades do regime o Marcelo fez um discurso exemplar nas suas contradições; para além disso, um tentar rebater as teses de Spínola, publicadas no seu livro “Portugal e o Futuro” – que ainda não chegou a Évora, aqui a 137 km de Lisboa. Um discurso estafado, que não engana quem dos mecanismos políticos e económicos conheça alguma coisita.

Recusado o impossível recurso a um referendo popular, restou ao Marcelo submeter-se, em gesto teatral, às decisões da Moção que os deputados Ultramarinos porão à votação amanhã. Alguns destes já foram intérpretes na Assembleia [Nacional] de correntes existentes no Ultramar tendentes à autonomia, estilo federativo (teses de Spínola) Mas, da Comissão do Ultramar, que redigiu o texto da moção atrás referida, fazem parte deputados anti-Spínola. Estou curioso de saber qual será o texto: Federação ou tudo como dantes?»  (MCG – 1974.04.05]»

E numa colagem de recortes  da minha correspondência  na altura refiro o "arregimentar» que ainda em 1973 se verificava:

«30 foram as camionetas (fora os automóveis particulares) que de Évora se deslocaram a Lisboa para apoiar o Marcelo [Caetano]. Beja, Santarém, Leiria, Portalegre, enfim, milhares de tipos confluíram para a manifestação do entardecer [em Lisboa]. Pena não autorizarem as contra -manifestações. (...) O Diogo diz que da Amareleja não terão ido pessoas à manifestação (salvo talvez os da Casa do Povo). Não porque sejam do reviralho, mas porque não se metem nestas coisas (viver não custa.). (MCG - 1973.07.19)

Ontem à noite (1973.10.24), no regresso de Arraiolos, muitos Mercedes a caminho de Évora, onde às 21:30 alentejanos cinzentos de ar sisudo aguardavam ordeiramente o início da sessão de propaganda da ANP [Acção Nacional Popular]. Debaixo dos arcos [arcadas], uma fila de homens, com ar humilde e jeito de rebanho descido da camioneta, dirigia-se para o cinema onde se realizaria a tal sessão. A Oposição não comparecerá as eleições no domingo. O Marcelo [Caetano] bater-se-á contra nada. (MCG - 1973.10.25).»

3. - em tempo - politicamente e segundo a Constituição da altura, O Presidente do Conselho e o  Governo dependiam politicamente do Presidente da República e não da Assembleia Nacional, cujo regimento aliás não previa a votação de moções de censura ou de confiança (no Governo).

E um jurista e legalista como Marcelo, encena na Assembleia Nacional ter o apoio dos Altos Comandos Militares -  directamente dependentes do Presidente da República - e da Assembleia Nacional. Não é com a "prisão" do Presidente da República que o MFA se preocupa, mas "permite" que Marcelo exija render-se a um oficial-general - Spínola ou Costa Gomes, por acção de Feitor Pinto.

Há na altura um mistério: a conselho do Director Geral, da PIDE, que Spínola tentará manter em funções com a "benemérita" - Marcelo é aconselhado a refugiar-se sob protecção da GNR no Quartel  General do Carmo - em vez de se dirigir para Monsanto, como seria previsto e fizera em 16 de Março. O Carmo não foi uma ratoeira, parece-me, mas uma tentativa de descolar Marcelo de Tomás, dando-lhe mão livre. Uns não queriam - o MFA - e outros não previram - a PIDE e Marcelo - com especial relevo para a juventude - o povo de Lisboa saísse à rua e cercasse o Quartel General da GNR e a sede nacional da PIDE - que as forças armadas -  por ingenuidade de uns, por inépcia ou cumplicidade de outros - "deixaram" à vontade e com liberdade de movimentos. 

http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/2014/03/3131974-ultima-ovacao-marcel-caetano.html

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ainda a correspondência entre Marcelo e Salazar - o discípulo e o mestre



* Victor Nogueira
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No livro que estou lendo e a que já fiz referência em post anterior  (1) relativo à correspondência entre Salazar e Caetano, verifica-se que Marcelo é uma pessoa impulsiva e braço direito de Salazar, estando eu numa fase em que mutuamente metem "cunhas" um ao outro. Mas na correspondência quase nada se refere a não ser acidentalmente (e a correspondência é uma selecção do organizador) à sucessão de Salazar a Carmona ou do terramoto que foi a candidatura de Humberto Delgado. Após a II Guerra Mundial Salazar opta por manter a ficção dum Portugal Uno do Minho a Timor, enquanto Caetano é adepto vencido duma Federação de Estados, ideia que tentaria retomar em 1969 mas que Américo Tomás logo cortou cerce. Ideia que Spínola retomará na sua obra "Portugal e o Futuro", em 1973.
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Mas enquanto Caetano se desdobra em actividades, Salazar é mais contido. Num aspecto ambos estão de acordo: a fraqueza da esmagadora maioria dos quadros da União Nacional e a divergência quanto ao Corporativismo, que Caetano levará sempre a peito e que para Salazar pouco significava, o que levou à separação de ambos.  Outro aspecto interessante é o das consultas mútuas, em círculo aparentemente quase fechado, para preencher os lugares de Procuradores à Câmara Corporativa, face à aridez de quadros, bem como de outros organismos. Ambos consultam-se mutuamente, o que prova que eram eles o esteio do regime e das escolhas dentre a quase geral pobreza franciscana do regime.
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Num mundo mediático como o de hoje, nenhum deles a meu ver teria grande futuro - Salazar tinha presença física mas   voz esganiçada e Caetano, tendo voz e geito para "teatro", não cuidava da sua imagem. Revendo hoje as conversas em família verifica-se que lhe faltava um consultor de imagem, o que aliás naquele tempo não era necessário pois não havia espaço para uma oposição organizada e à luz do dia.
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Daí que sejam insólitas as suas alegrias pelos resultados "eleitorais" e os elogios de Salazar aos por ele considerados "excelentes" discursos de Caetano, quer enquanto dirigente da União Nacional, que este considerava um mero local de intrigas e cunhas provincianas, quer enquanto Presidente da Câmara Corporativa dum corporativismo que nunca funcionou nem funcionaria sem a repressão ou apesar dela!
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(1) - A bolsa ou o bolso bolsam?

Ver no Galeria & Photomaton
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Salazar Nas Comemorações de 28 de Maio (excerto)

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e no D'Ali e D'Aqui

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Marcelo Caetano - discurso do sucessor de Salazar e a Revolução dos Cravos

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A bolsa ou o bolso bolsam?



* Victor Nogueira
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O tempo refrescou embora à noite, estando fresco lá fora, está quente cá dentro pois tenho a janela fechada, aqui no cimo da "montanha".
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Ronaldo e o filho estão para banhos, tal como o engenheiro-chefe, refrescando-se enquanto o país arde, bombeiros morrem,  reservas naturais são destruídas e um alto clero faz apelos patéticos contra os incendiários, das florestas e não de emprego e da economia!
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O folhetim Casa Pia entrou a banhos, depois das ameaças dos advogados de anularem o julgamento e na Procuradoria Geral da República, a propósito do Freeport, andar tudo numa fona: Procurador Geral,  Procuradores não gerais, opinin makers and so on. Uns lançando achas para a fogueira, outros procurando do lume tirarem as castanhas sem se queimarem, uns procurando pôr água na fervura, outros atiçando  as brasas !
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Numa grande página amarela o público ou alguém por ele anuncia que os conteúdos editoriais estão protegidos por direitos de autor! O Vigilante é uma tal visapress (c), instituição sem fins lucrativos. Já não bastava pagarmos para fazer publicidade nos sacos de super, hiper ou mini mercados e doutros estabelecimentos comerciais ou da imprensa escrita, como agora a publicação  ocasional em blogs poderá violar  direitos de autor! Ora toma, queres fazer publicidade à borla? Nem penses. Passas a pagar para me fazeres publicidade !
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Embrulhado embrulhado parece que ficou o caso da herança Tomás Feteira, que nos tempos de  Salazar terá sido uns dos dez homens mais ricos do Mundo. O Pilim, é tão engraçado o Manganão ! E a Polícia brasileira insiste que Duarte Lima explique a sua ida ao Brasil e o seu encontro com a sua constituinte assassinada horas depois dele a largar noutro local!
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O Correio da Manha, para além de inúmeros anúncios de "massagistas", muitas mostrando a bunda ou os seios, o que devem ser instrumentos  para  uma nova e saudável técnica de massagem, publica inúmeras fotos femininas soft-core, muito apelativas, ao pé das quais as coelhinhas do Playboy Portuguesa e a niña de Mirandela ganham seráficas asas.
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Estou a ler um interessante livro com a correspondência mútua entre Salazar e Caetano (1932/1968), antecedida dum interessante texto enquadrativo de José Freire Antunes. Uma correspondência de mais de meio século  com quezílias  pelo meio entre o "discípulo muito atento, respeitoso, admirador e obrigado" e o mestre "muito grato, admirador e amigo atento".
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Nas cartas Marcelo revela-se uma pessoa pragmática, evoluindo da monarquia para a república, impulsivo, muitas vezes sem papas na escrita mas depois indo refrear eventuais estragos da sua impulsividade face à placidez do Mestre.
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Mas se após a II Guerra Mundial Salazar recusou candidatar-se à Presidência da República, abrindo talvez caminho a Marcelo se tal tivesse sucedido, a verdade é que mais tarde não teve força para se opor à recandidatura de Américo Tomás, que logo lhe cortou as asas face à sua tibieza e idiossincracia, que levaram à patética entrega do  poder ao general Spínola para que aquele não caísse na rua, em 25 de Abril de 1974. Mas essas são já outras reflexões.

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