segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Fui como ervas e não me arrancaram (9) - Persistência da «Memória»

Salvador Dali - A Persistência da Memória - 1931

Salvador Dali - A Desintegração da Persistência da Memória - 1952/54



* Victor Nogueira
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Nas tuas deambulações nunca viste cadáveres mumificados? Eu já, vários, um deles na Sé de Braga. Todo o mundo é sempre composto de mudança, disse Camões noutro contexto.
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Olhei para a foto do faraó e pensei: tão feio! Mas posso imaginá-lo como seria, «reconstitui-lo» como agora se faz em computador, a partir duma caveira ou dum esqueleto. Isto em relação a quem não conhecemos, na realidade ou na imagem.
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Alguém da família tinha de ir assistir ao levantamento das ossadas do meu irmão e fui eu, como fui eu que fora identificá-lo à morgue. Mas o meu irmão não são aqueles ossos descarnados e com roupa meia desfeita, mas aquele que tenho na minha imaginação e no meu coração.
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Que seria de nós se não conseguissemos ver doutra maneira, apesar da «frieza» e do racionalismo? Que seria de nós se não tivéssemos imagimação ou o sonho obrigatório ao menos enquanto dormimos? Porque fotografas, moça?
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ver Paulo Bedaque - Quadros de Dalí
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2 comentários:

Estrela Cadente disse...

Eu sei o que é a persistência da memória.
Eu sei e muito bem o que são as recordações que nos ficam.
Tens muita razão nessa pergunta que me fazes, para que fotografo?
Bj

De Amor e de Terra disse...

Já vi vários cadáveres mumificados em vários templos espalhados pelo Norte. Somente o primeiro me causou alguma aflição, algum desconforto.
Também já assisti a "coisas" como essa a que tiveste de assistir, relacionada com trasladação de restos mortais de familiares (vários);
Mas para mim, continuam vivos na sua essência; o corpo é somente uma casca a embrulhá-la e como perecível, não importa!

Bj

Maria Mamede