sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Fui, como ervas, e não me arrancaram (2) - O meu horizonte ...


O meu horizonte ....
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* Victor Nogueira
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Em casa, o mundo a meus pés. No último andar dum prédio no cimo duma encosta, nada mais senão o horizonte: casas e, sobretudo, «céu» com todas as suas variações: límpido, azul, cinzento, por vezes com núvens brancas de variados formatos, outras carregado e atravessado pelos raios da tempestade. De noite o horizonte é negro, excepto quando é lua cheia. Mas sempre o luzeiro de floresinfindo, refulgente. Lá em baixo, um Parque Verde, e ao fundo a avenida muito movimentada cujo ruído mal chega aqui. Ouço apenas, lá de fora, o chilrear das crianças na hora do recreio, gaivotas a grasnarem, alguns cães a latirem, ciganas chamando pelos filhos com aquele seu entoar característico, enquanto os ciganos jogam às cartas no Largo, debaixo duma árvore, em mesa e cadeiras que ninguém rouba.
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No trabalho, donde estou ausente vai para 12 meses, pela janela do «meu» gabinete vejo sempre o céu e se esticar o pescoço, o morro do Viso e o Castelo de Palmela. Este é o meu horizonte e daquele vejo o sol nascer muitas vezes, ao contrário de Luanda, em que o via mergulhar no horizonte, para lá do qual estava e está o Brasil.
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Setúbal, 2007.11.02

2 comentários:

Estrela Cadente disse...

O teu horizonte!
O meu ... é a casa do vizinho.

Maria disse...

Estava convencida que da Estrela Cadente já não se via qualquer rasto