quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Retratos (27) - Dia de S, Porco

* Victor Nogueira
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Hoje, em Évoraburgomedieval é terça feira e, para além dos turistas habituais, a Praça do Giraldo e o Café Arcada encontram se cheios de forasteiros, solidamente especados, indiferentes a quem passa e ao estorvo provocado. É dia de S.Porco, i.e, dia de mercado, em que os homens vêm à cidade para o negócio do gado, enfiados nos seus fatos escuros, de mau corte, botas enlameadas e chapéu na cabeça. Detesto a sua falta de maneiras, embora por vezes seja uma distracção observar as suas atitudes. O mais interessante neles é o modo como se escarrancham nas cadeiras, à mesa do café, solidamente instalados, o chapéu na cabeça atirado para trás. (MAF - 1971.10.09)
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Évora é uma terça-mercado numa praça.
numa praça em terça-mercado um café.
de um café em praça numa terça-mercado.
.................................de agrários cinzentos..
.................................como cepos sem vida. (POE - (1)
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Amanhã é 3ª feira, o meu dia negro, pois a cidade - e o café - enchem-se de alentejanos corpulentos, solidamente parados no meio do caminho, de chapéu na cabeça e fatos escuros, como se nada mais existisse no mundo senão as suas irritantes pessoas ! (NID - 1973 ?)
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1 - Do poema «Natureza Morta«, escrito em Évora

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Retratos (26) - Um breve regresso a Económicas com passagem para o ISESE

* Victor Nogueira
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Está um dia de calor abafado. Desconhecendo ainda o que a casa gasta, saí de manhã com o guarda‑chuva na mão e o casaco debaixo do braço. O que vale é que Lisboa é grande e a minha parvoíce passa desapercebida. Estive em Económicas com a Dra. Manuela Silva,[2] sobre a possibilidade de participação no corpo docente do ISCEF. Para além disso S.Exa perguntou‑me o que fazia eu, e como lhe dissesse que estava no "exército industrial de reserva", perguntou‑me o que me interessaria (talvez haja possibilidade no MEC) e ficou de contactar comigo. Os contínuos (o sr.Pinto e o sr.Cascais) - vê lá! - ainda se lembram de mim e perguntaram‑me se eu voltava para Económicas. Ah!Ah!Ah! ([1]) (MCG - 1974.09.12)
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[1] - Em Luanda as entradas e saídas nos Liceus eram controladas. Pelo que em Portugal, na 1ª vez que entrei em Económicas, no antigo Convento do Quelhas, em 1966, dirigi‑me ao porteiro, creio que era o Cascais, dizendo que era aluno e se podia entrar. Enfim, caloirices ingénuas, como depois verifiquei, pois a entrada nas faculdades era franca e ninguém controlava as movimentações.
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[2] - A Manuela Silva, católica progressista pertencentia ao movimento GRAAL, tal como a Engª Lurdes Pintassilgo e uma psicóloga muito conhecida, «ligada» então aos Jesuítas, que se a memória me não falha se chamava Maria João Belo, Antes do 25 de Abril a Manuela Silva pertencia à SEDES e fora minha professora no ISESE, onde leccionava Planeamento Social, frisando que desenvolvimento económica só tinha razão de ser se conjugado em simultâneo com o desenvolvimento social. Tinha por mim como estudante uma estima e consideração especiais.
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Na cadeira por ela leccionada as provas de frequência e os exames finais eram escritos e com liberdade de consulta, embora o trabalho de fim da cadeira condicionasse o acesso ao exame final. Este tipo de exame, com possibilidade de levar livros e apontamentos para as provas de frequência e para os exames finais era caso raro, salvo nalgumas das cadeiras de Direito.

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A época de exames no ISESE era uma estopada e, no meu entender, uma sequência de provas de resistências física e psicológica, pois cada ano tinha inúmeras cadeiras anuais e semestrais e os exames eram praticamente diários, quando não havia dois no mesmo dia.
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Face à onda de contestação estudantil liderada pela Associação de Estudantes e pela Junta dos Delegados de curso (das duas também fazia parte), a Direcção do ISESE, exclusivamente formada pelos jesuítas, reolveu «militarizar» o Instituto, instituindo o método de desfazamento temporal dos exames de frequência semestrais, para além de manter um rígido controle de assiduidade, de modo a quebrar, com êxito, a união e conjugação de esforços dos cursos e dos alunos. Por outro lado a Direcção esvaziou quase por completo as receitas com a venda das sebentas, de cuja Secção Folhas fora o responsável durante sucessivos mandatos por eleição dos estudantes, convencendo a maioria dos professores a entregar a sua edição aos jesuítas. Ora em qualquer AE a Secção de Folhas era o principal sustentáculo daquela, que permitia o desenvolvimento das actividades das restantes secções. O próprio bar do Instituto nunca foi gerido pelos estudantes, ao contrário do que sucedia nas cantinas em muitas Faculdades ou Institutos das restantes três Academias
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Para além disso a esgotado «núcleo» duro organizado em torno da Associação de Estudantes, não se recandidatou, pelo que até ao 25 de Abril as Direcções da AE passaram a ser nomeadas pelos jesuítas, embora se aconselhasem e discutissem previamente connosco as questões por sua própria iniciativa.

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Com efeito foi no final do ano em que o nosso mandado findava (1971) que «rebentou» o «violento» confronto entre a AE e a Comisssão de Festas dos Finalistas. O grupo organizado em torno da AE era contra a introdução de praxes, que nunca tinha havido, entendendo que os estudantes se deviam vestir como toda a gente. Por seu turno e nesse ano em torno da Comissão de Festas dos Finalistas, que era norma ser subsidiada pela AE, entre outras fontes de receita, juntaram-se os que queriam introduzir praxes que as outras Academias haviam abolido, para além do uso duma vestimenta que distinguisse os estudantes do ISESE da restante população: por um lado os «tradicionalistas» e menos abonados, com a adopção da capa e batina coimbrãs, queima das fitas e demais «folclore». Por outro a elite dos «betinhos» que pretendia instituir uma fatiota como a dos colégios ingleses, com distintivo bordado no bolso do lenço e gravata a condizer, também com emblema.
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O embate terminou com um empate no final do ano, que se traduziu numa vitória pois nos anos seguintes até ao 25 de Abril a «elite» desistiu de voltar à carga e depois deixou de ter condições para fazê-lo.

Retomando o fio à meada, resolvi pois deixar aquela disciplina - Planeamento Social - para a 2ª época - mandara à professora o trabalho de Luanda, onde sempre ia nas férias grandes, após troca de correspondência entre mim e ela. Fui o único aluno que compareceu, acompanhado dos calhamaços para a prova. O Pe. Augusto da Silva, s.j.Secretário da Direcção, quis impedir-me que eu consultasse o material mas eu disse-lhe que isso era uma permissão da responsável pela cadeira, que ele estava ali como simples vigilante das provas, que os meus colegas da 1ª época tinham utilizado o método da consulta, e que se ele persistisse na sua eu entregaria a prova em branco, com a minha justificação e assinatura. Disse-lhe que olhasse para o texto da prova e logo veria que ele se baseava no saber adquirido e na consulta de material. Tratava-se duma prova de conhecimento e capacidade de fundamentação do raciocínio e não na simples capacidade de memorização.

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Ele leu o texto da prova que me entregara e lhe fora enviado pela professora, «recuou», disse-me que fosse ao Gabinete dele entregar a prova logo que terminasse o tempo e deixou-me sozinho na sala.
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Por essa altura e até ao 25 de Abril participava nas reuniões semi-clandestinas do núcleo da SEDES em Évora, não prepriamente porque esta quisesse derrubar o sistema, mas sim torná-lo mais «humano», embora não me coibisse de dizer que por aquele caminho não se iria longe na efectiva democratização da sociedade portuguesa a todos os níveis. Para mim o interesse das reuniões resultava da possibilidade de estudarmos e discutirmos colectivamente os documentos da SEDES e contribuir para a sua elaboração.
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Entre outros que já esqueci, contavam-se a Dra. Madalena Queiroga Perdigão, [
que depois da «Revolução dos Cravos» foi Governadora Civil de Évora - 21 de Fevereiro 1980 a 11 de Julho 1983], um jovem bancáriode apelido Cruz, que tal como a Madalena aderiu ao então PPD, tendo feito parte da 1ª Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Évora, o Dr. Abílio Fernandes, meu professor de Análise de Balanços ou Contabilidade Analítica no ISESE, que depois militou sucessivamente no MDP/CDE e no PCP, tendo sido o 1º Presidente eleito democraticamente para a Câmara Municipal de Évora.
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Apesar disso e anedóticamente muitas funcionárias protestaram que não aceitavam que o Presidente fosse preto (o Abílio é indiano), como se a opinião pessoal delas tivesse força para se opor ao voto maioriário das primeiras eleições democráticas em Portual, onde pela 1ª vez a todas as mulheres foi reconhecido o direito de cidadania, incluindo o direito de voto.

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Após o 25 de Abril tive uma breve passagem pelo MES (Movimento de Esquerda Socialista) e depois passei a «independente», recusando até 1976 a filiação em qualquer partido, não obstante os convites e pressões tão divesificadas como os do PPD, do PS, do MDP/CDE, do PRP/BR, da UDP e do PCP.
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Sobre o contexto socio-político da criação da SEDES em 1970, ainda na onda da chamada «primavera» marcelista, podem ver:
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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

José Afonso e o Canto de Intervenção



* Victor Nogueira
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Em José Afonso - Um amigo (1) falei das duas únicas vezes em que me lembro de ter visto o Zeca Afonso pessoalmente. Mas já o conhecia de Luanda, duma data, que situa nos anos 60 do milénio passado, quando em casa recebi um telefonema do meu colega do Liceu e amigo Virgílio que me disse um pouco em surdina: «Ouve este disco que acabou de me chegar às mãos». E assim, pelo telefone, ouvi pela 1ª vez o José Afonso, interpretando «Os Vampiros».
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Terminado o Liceu, rumei para Economia no Porto, onde apenas estive 15 dias e mudei-me para Económicas em Lisboa e depois para Sociologia em Évora. Esta era uma sociedade muito fechada e nós, os «estrangeiros das colónias», medianamente abonados, formávamos um grupo: o Henrique da Beira, (Moçambique), o Camilo de Benguela e este escriba, de Luanda. Ao nosso grupo reuniram-se os estrangeiros semi-abononados, de fora do Alentejo, o João e a Filomena, de Santarém, o Luís Filipe de Lisboa, o Carlos do Porto, o Valentim, namorado da Domingas, ele de Beja e ela de Évora, a Lúcia de Évora, e um casal de irmãos, salvo erro o Henrique e a Dídia, e dois ou três transmontanos e outros tantos da Beira Interior.
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Depois havia as aves de arribação de Évora e arredores, que umas vezes se sentavam à nossa mesa, outras no Café Portugal, como o Pingarilho, o Agante, o Ilhéu, o Custódio, a Lídia, o Tobias e o Carmelo, para além do Cabral que era o único filho de agrário que convivia connosco. A Lídia e o Tobias, que não estudavam e creio que já trabalhavam, eram os únicos eborenses que conviviam connosco, para além da Lúcia, da Domingas, do Pingarilho e do Custódio. Mais tarde juntou-se-nos a Isabel, de quem já falei noutro post, sobrinha do Conde de Vilalva.
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Também havia o Aristides, dos Açores, um homem bom, ex-seminarista que tinha já feito a guerra colonial, um «revoltado» que dizia que convivia connosco porque não éramos tão «reaças» como a maior parte dos nossos colegas embora não tão «radicais» como ele, mas enfim, ele tinha de dar-se com alguém, como nos dizia. Os da Beira interior e de Trás os Montes também eram ex-seminaristas que, embora menos abonados, andavam mais ou menos «perdidos» na medievalidade de Évoranoantigamente. No ISESE as propinas eram baixas e havia uma boa biblioteca, porque o Instituto era subsidiado pela Fundação Eugénio de Almeida, Conde de Vilalva, engenheiro e proprietário de extensas propriedades agrícolas no Alentejo e do Convento da Cartuxa, de que talvez fale noutro post. Havia um outro grupo, que fazia vida à parte, que não nos passavam cartão nem nós a eles: Champalimaud's e similares, meninos ricos e consequentemente com um alto trem de vida. Eles seriam mais tarde os «patrões» e nós, os que entrássemos nas empresas deles, os quadros superiores de confiança.
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Os cafés da malta eram dois, O Portugal, que já fechou, ponto de encontro dos eborenses e da malta do reviralho, e o Arcada, mais fino, também «escandalosamente» frequentado pelas esposas dos alemães da fábrica Siemens e pelas nossas colegas, acima referidas. As outras, ou estavam hospedadas em lares religiosos, em casa dos pais ou em quartos alugados, segregadas dos hóspedes masculinos, e com horas de entrada e saída, atentamente vigiadas pelas «hospedeiras», ciosas do bom nome e reputação das suas casas de hóspedes.
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Era assim como nas aldeias e vilas alentejanas onde existiam quase sempre duas sociedades recreativas: a dos ricos/agrários e a dos pobres/assalariados rurais, completamente estanques. No café não era bem assim: tanto se estava num como noutro, mas o Arcada, na Praça do Giraldo, ficava mais perto dos nossos quartos alugados, do Cinema e da Livraria Nazareth, defronte da qual a conversa se prolongava pela madrugada fora, mesmo no pino do inverno e nas noites de chuva, nestas abrigados debaixo das arcadas, após o encerramento dos cafés e «corrida» dos clientes mais relapsos, que normalmente éramos nós. Quem conheça Évora dirá que os cafés estavam separados apenas por uns longos 100 metros! Não desminto, mas naquele tempo era uma distância enorme, que apenas percorríamos às terças feiras, dia de mercado, quando os agrários, para tratarem dos seus negócios, ocupavam e enchiam o Arcada, transbordando para a Praça do Giraldo. Disso falo num poema da altura, denominado «Évora, natureza-morta»
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Deste grupo todo só o Henrique (da Beira) o Cabral e o João tinham carro, este um descapotável de dois lugares, de modo que o núcleo duro (Camilo, Carlos e o presente escriba) corriam o Alentejo de camioneta ou à boleia de alguém que tivesse carro e fosse convencido por nós a acompanhar-nos nas nossas visitas «turísticas». Muitas vezes íamos até Beringel, onde viviam os tios do Camilo, ele médico e ela enfermeira, ambos em Beja.
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Ah! falta falar de dois miúdos pobres (o Jorge, de quem já falei noutro post, e o Carlos), que se sentavam à nossa mesa e eram os nossos «protegidos», que por isso os empregados não se atreviam a correr com eles do Arcada para fora.
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Chegados aqui, quem chegou, dirá «o tipo está a gozar connosco, então o Zeca Afonso desapareceu?». Não, está quase a chegar! Daquele grupo todo os únicos que tinham muitos livros e gira-discos éramos a Guida (que também fazia parte do grupo) e este escriba. A Guida tinha uma grande biblioteca de poesia e um piano, e a sala dela era uma tertúlia mais selecta, com declamação de poemas, normalmente pelo Campos, que já morreu, e pela Guida, vasculho de livros de poesia pelo Camilo, audições de piano proporcionadas pelo Carlos, serenatas à viola pelo Aristides, quando o conseguíamos convencer, pois tinha uma voz muito bonita, mas resmungando sempre contra a «burguesia» e a inutilidade da poesia, pois o que era preciso era varrer a burguesia à metralha. Naquelas tertúlias era proibido falar da política, mas eu às vezes esquecia-me e a Guida, que era amiga de todos nós, uma espécie de pintainhos debaixo da asa dela, ia aos arames, como descrevo num poema «À Guida sem amor hoje». Também pela nossa mesa do café e pela casa da Guida passavam alguns pintores, como o Chico Belizzi, o Palolo ou o Álvaro Lapa.
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De modo que aquilo era uma comunidade, onde cada um partilhava com os outros o que estes não tinham. No meu caso, tinha uma biblioteca e uma discoteca razoáveis, um gira-discos e um quarto enorme. De modo que quando me sabiam em casa aquilo era um corropio, para lerem livros ou os jornais, ouvirem música, conversarmos ou estudarmos. Como aquilo era uma casa de hóspedes eu subverti as regras todas da hospedeira, a D. Vitória, que me dizia que me tinha alugado o quarto a mim e não a um bando de cavalgaduras que passavam o dia escada acima escada abaixo. Outra das regras subvertidas era a das raparigas, as que estavam na mesma casa, iam até lá ouvir música, conversar ou pedir-me livros emprestados, tal como algumas colegas do Instituto. Aquilo então exasperava a D. Vitória: uma vergonha, isto é uma casa de respeito, onde é que já se viu meninas enfiadas nos quartos dos senhores?! Claro que nunca recebi ordem de despejo possivelmente porque a minha mãe estava cá de férias em Portugal e levou-me no carro dela quando fui alugar o quarto e as duas senhoras simpatizaram uma com a outra e a minha mãe recomendou-me como bom e ajuizado rapaz.
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De modo que fiz uma concessão à D. Vitória: quando estivessem as meninas ou senhoras no meu quarto eu deixava a porta aberta.
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E aqui voltamos ao gira-discos e ao Zeca. Para além de música clássica, havia livros e discos apreendidos pela PIDE e FORA do MERCADO, sendo crime tê-los em casa. E assim o que sobrava da mesada era para livros e discos, estes comprados por baixo do balcão e vendidos apenas a clientes de confiança. Deste modo, para além de pessoas, acompanhavam-me, para além da música clássica e de ópera, o Luís Góis, o Fernando Machado Soares, o Zeca Afonso, o Adriano, o então Pe. Fanhais, Cantos Revolucionários de Le Chant du Monde, Joaquin Diaz, Luís Cila, Jacques Brell, José Mário Branco, o Manuel Freire. Ary dos Santos e o seguimento quase religioso do Zip-Zip e, quanto a mim, d’ As Conversas em Família do Marcelo Caetano, num outro café mais popular, salvo erro o Alentejano, que comentavam em voz alta e entre si as suas discordâncias com a conversa fiada do Marcello.
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O televisor era um luxo, embora a preto e branco, e eu cedera à D. Vitória o da minha mãe, que entretanto já regressara á Luanda, terminadas as férias. De modo que quando queria ver algo na TV tinha de ir para o Alentejano, pois o único programa que me interessava e às meninas e senhoras da casa era o Zip-Zip. Claro que nas aldeias só os ricos tinham televisor, e alguns compartilhavam-no com o povo, colocando-a na janela, virada para a rua, onde se aglomeravam os telespectadores. Em Évora, quando havia desafios de futebol, alguns comerciantes deixavam um televisor da montra ligado para o povo poder assistir aos desafios de futebol.
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Aqueles cantores atrás referidos e outros eram os nossos amigos e companheiros, a Voz da Resistência e do Combate, e por isso ouvir hoje essas canções comove-me e simultaneamente melancoliza-me, pela não concretização do Sonho que o 25 de Abril criou, afinal breve esperança que não será concretizada na nossa geração.
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Mas o capitalismo já leva seiscentos anos de existência e só agora conseguiu criar condições para se estender pelo todo o mundo. Mas a Comuna de Paris durou escasso tempo, as Revoluções de 1848 e de 1918 foram esmagadas de forma cruel e sangrenta, a Revolução de Outubro aguentou-se mais tempo. E como dizia Lincoln ( se entretanto não houver um holocausto nuclear), «pode-se enganar todo o Povo durante algum tempo, pode enganar-se uma parte do Povo todo o tempo, mas não se pode enganar todo o Povo todo o tempo».
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Os Vampiros
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Em 1959 frequenta colectividades e canta regularmente em meios populares. No ano seguinte são editados mais dois singles: «Balada do Outono» e «Dr. José Afonso em Baladas de Coimbra / Menino do Bairro Negro». Este último inclui «Os Vampiros», canção proibida pela censura e pela PIDE. «Os Vampiros», juntamente com «Trova do Vento que Passa» (gravada só em 1963), escrita por Manuel Alegre e cantada por Adriano Correia de Oliveira, constituem um marco fundamental da canção de intervenção e de resistência antifascista.
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Texto a itálico parcialmente transcrito de -> África - Europa - América - BIOGRAFIAS - José Afonso
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Clique na imagem para ver o movimento

domingo, 18 de novembro de 2007

Do rio que tudo arrasta ... (2) - Com os pés assentes na Terra


* Álvaro Cunhal
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"Numa sociedade em que há classes dominantes e há classes dominadas, aqueles que escrevem a História pertencem em geral às classes dominantes e escrevem a história com critérios da sua classe. Há sem dúvida historiadores que, situando-se social e ideológicamente no âmbito das classes dominantes, procedem a uma investigação séria. Mas é muito raro fugirem a critérios de classe na investigação e na apreciação e valorização relativa que fazem dos problemas e dos acontecimentos."
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"A história do comunismo, do movimento comunista, é no fundamental, embora num percurso acidentado, a história de uma luta social constante na defesa dos interesses e direitos dos explorados e oprimidos, tendo como objectivo construir uma sociedade nova e melhor, o que implica confiança no ser humano e exclui a crença em formas sobrenaturais, que decidam do seu destino. Os objectivos e a luta dos comunistas hoje são inseparáveis dos objectivos e da luta desde o Manifesto Comunista de 1848. A Igreja católica pouco tem a ver com os primeiros cristãos que eram perseguidos. Aquele aquem se atribui a fundação da Igreja, S. Pedro, foi crucificado e de cabeça para baixo. Quando, alguns dizem que Cristo foi o primeiro comunista, atribuem-lhe ideias e comportamentos com os quais pouco ou nada têm a ver as ideias e os comportamentos da Igreja Católica ao longo dos anos, pois ela se tornou um elemento integrante do feudalismo, e depois do capitalismo, a não ser em alguns dos seus sectores que retomam as melhores ideias e comportamentos atribuídos a Cristo. No movimento comunista e na concretização dos seus objectivos registaram-se, graves situações e fenómenos que se afastaram dos ideais sempre proclamados pelos comunistas. Mas, se se fala em comunismo hoje, eu só compreendo mantendo e defendendo esses ideais e não renegando as grandes realizações e o património de luta de gerações e gerações de comunistas. Os comunistas não têm uma concepção ideológica separada de uma intervenção prática. Ao contrário da Religião, não aceitamos o conformismo e a resignação. Não estamos a lutar por uma concepção; estamos, com uma concepção, a lutar pela solução de problemas concretos da humanidade e por uma transformação da sociedade que os resolva. Estamos cá na terra, com os pés assentes na terra."
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Fonte - Wikiquote: Álvaro Cunhal.
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Do rio que tudo arrasta ... (1)



* Victor Nogueira
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O rio a que Brecht se refere metaforicamente, são «o povo» ou os «trabalhadores», isto é os oprimidos e alienados pela classe dominante ao longo de milénios. E o transbordar das margens, não é uma «revolução» como a dos cravos, mas como as que têm ocorrido ao longos dos tempos, desde os escravos, passando peloa camponeses pobres, pela Comuna de Paris, pelas revoluções de 1848 na Europa, a de 1910, no México, pela de Outubro de 1917 na Rússia, das de 1918 pela Europa, e muitas outras desde então.
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Abortadas? Por agora, talvez sim. Mas depois do inverno, a semente enterrada no solo germina. Pois até o capitalismo, desde há séculos, sofreu avanços e recuos e mesmo hoje em dia ainda não se impôs em todo o Planeta Terra nem é o fim da história.
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Mas se tudo isto não explodir antes, se conseguirmos rebentar com as margens, o rio será depois sereno e sem barreiras, para todos e cada um dos sobreviventes. Assim o acreditamos muitos de nós por todo o mundo e ao longos dos milénios. Porque o Inferno, o Purgatório ou o Paraíso ou são neste Mundo ou não são!
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«Do rio que tudo arrasta se diz que é violento Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.» (Bertolt Brecht).
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Encontra de Bertolt Brecht aqui mais Poesia ou nesta Antologia Poética. A imagem é uma gravura japonesa de Katsushika Hokusai e foi retirada de terra da alegria.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Fui como ervas e não me arrancaram (15) - O riso, a seriedade e os enganos





* Victor Nogueira
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Vi o teu comentário, mas talvez me engane na interpretação que dele fiz, talvez os outros se enganem acerca de mim e eu seja de facto mais burro que o maior dos burros.
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(...) Não queimo pestanas, nem fotos, à execepção duma e do respectivo negativo, fruto duma brincadeira de adolescente que induziria em erro no futuro. E não entendi essa de queimar as fotos em que estou sozinho. Todos, mesmo acompanhados, estamos sózinhos. Sempre!
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Tu tens muitos comentadores, tal como outras e outros «poetas» idem. Quantos estarão contigo se estiveres numa cadeira de rodas, imobilizada numa cama ou velha a trôpega? Como «vez», pouco valho porque não tenho mais que um ou dois comentadores por dia, no conjunto dos blogs. Há quem tenha aos quinhentos por cada post de foto, de meia dúzia de larachas ou «poema» Isto é apenas uma constatação da realidade. Mas, como diria Alberto Caeiro, que é a realidade?
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Poderias ter sempre participado no Ao Sabor do Olhar; há lá lugar para todos, mesmo para quem eu não conheça, desde que cumpra as regras mínimas que são a tolerância e o respeito para com outrem, excepto para os confesssos ou reconhecidos inimigos da Liberdade ou deste simulacro de democracia, em fim de festa, que só teve um um interregno positivo entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975.
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NOTA - Neste momento em que escrevo, não sou velho trôpego, não estou acamado, ando pelos meus próprios pés. Mas respeito, sou solidário e procuro ajudá-los e, para além disso, com outros homens e mulheres, procuro ajudar a construir uma outra sociedade onde não haja fronteiras nem barrreiras , um mundo onde haja solidariedade, justiça, fraternidade, respeito mútuo, igualdade, paz e um pouco de felicidade. Para todos e não só para alguns.
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Quem me lê talvez diga o gajo é louco e não quis aproveitar as oportunidades de, vendendo-se e aproveitando-se de pessoas bem colocadas, arranjar um lugar ao sol, numa corte de bajuladores. Houve «PS's» que tentaram estender-me o prato de lentilhas. censurando-me por não mudar: «Oh! Dr, um homem inteligente e competente como você anda por aí a defender o pé descalço, quando podia voltar a ser chefe e ganhar horas extraordinárias?" É a vida. Quando alguém se torna importante, por muito meu amigo que tenha sido, eu tomo a iniciativa de desapareçer da sua vista!

Fui como ervas e não me arrancaram (14) - Optimismo Céptico


* Victor Nogueira

Infelizmente passsa-se qualquer coisa no meu PC e no IE que me não permitem ver nalgumas vezes as imagens e nunca ouvir a música, Hoje passei pela tua casa e fico contente por, apesar de tudo, manteres o humor e a generosidade.
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Contudo, não achas que ser optimista e ser céptico se excluem mutuamente ou tornam o activismo oportunista? Se em nada acredito ou se não acredito naquilo porque luto, apesar do meu optimismo e activismo, então seria um mercenário e de mim não podem estar seguros aqueles a que me deveria juntar, outros e outras que por todo o mundo ganhem consciência da sua força de modo a tornar este mundo uma sociedade mais justa, mais livre, mais fraterna, mais igualitária, mais pacífica?
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Um abraço, a minha solidariedade e a minha amizade.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Fui como ervas e não me arrancaram (13) - Outros tempos, a mesma Luta.


* Victor Nogueira

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Eu sou doutro tempo e doutras RIA's, (1) daquelas que lutavam contra o fascismo e a guerra colonial, no tempo em que havia PIDE, «bufos«, emigração a salto, «gorilas» e mobilizações compulsivas para a guerra, e da luta contra as praxes e os trajes distintivos. E que prestaram apoio às vítimas das cheias de salvo erro '68, que a censura escondeu, como muitas outras verdades ou acontecimentos. (2)
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E da Académica de Coimbra, que entrou em campo de luto e protesto contra o Regime e demissão da AAC, cujo Presidente era um homem que hoje anda pelas bandas da Capital. Ou será do Capital? Muito devo a esse tempo, embora muitos hoje estejam nas cadeiras do «Poder», marionetas alternado entre o PS e o PSD, incluindo os «revoluvionários de gema pinta paredes». E foi nesse tempo que escolhi de uma vez vez por todas o meu lado da barricada.
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(1) Reuniões Inter-Associações de Estudantes
(2) Bufos, gorilas, censura (ou critérios editoriais), mobilizações compulsivas, agora para o desemprego ou subemprego, concentração de todas as polícias e serviços de informação agora não nas mãos do botas mas num seu eficiente sucessor, subordinação do poder judicial (órgão de Soberania) ao Governo (órgão de Soberania), tudo isso está de volta. Mas naquele tempo também havia tempo para convívios e festas, só que a música era outra, apesar do «pretenso» Chefe da Banda e seus cortesãos serem outros e vestirem diferente, mas no resto são iguais porque os PATRÕES são os mesmos.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Fui como ervas e não me arrancaram (12) - Música Ambiente


Victor Nogueira disse...

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Pois, pois. Só agora um dos blogs que quem me visita começou a dar música. Este meu PC está pior que o dono Tenho de pôr música para deliciar e talvez atrair mais visitas. Sim, que quase ninguém me visita. Então aos fins de semana para aqui fico sozinhito.
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Nesses dias é uma festa quando alguém me deixa um comentário. Eh pá, é cá uma festa com foguetes, mas sem castanha, Olhem, este ano não houve castanhas, apesar das minhas tias esperarem por nós em Paço de Arcos. E veio a Bela de propósito do Porto. Bem, aquilo é mais centro da Maia, onde fica um museu de automóvel e termina o metro. Eu estava deprimido e não me apetecia conduzir e depois tive um dos habituais desaguisados com a minha filha Susana, mas hoje já fizemos as pazes. O carro do Sérgio e dela pifou e o Rui nem tem carro nem carta de condução. Resumindo, não houve castanhas para quem quer que fosse, nem geropiga. Bem, pelo menos para o Rui e a namorada houve sapateira, pois quando lhe telefonei estavam num viveiro a escolher.
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(....) AAAAAAAAAAAAAhhhhhhhhhhh . Agora é que reparei este blog que estive a visitar tem um aparelho estilo amplificador. Mas a música parou. Vocês acham que posso tocar nele sem isto explodir? Vou tentar :-)
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Se eu voltar é porque não fui lançado à estratosfera. Se não voltar, esta é a última msg: «Adeus mundo, adeus céu azul, adeus brisa do mar, adeus sol nascente ou poente, adeus papoilas vermelhas, adeus a todo o pessoal que gostou e gosta de mim e de quem gostei ou gosto».
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Victor Nogueira disse...
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Voltei. Nem explodiu nem fui lançado pelos ares. Fiquei com a ideia que se podem escolher outras músicas ou a mesma. Tenho mesmo que ver como se instala aquele aparelhómetro. Até podemos organizar um Convívio Musical. Que acham? Vocês escolhem a música e eu ponho a tocar !
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Abraços a todo o pessoal e tenham muita alegria, uma boa semana e uma melhor semanada!
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Victor Manuel

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Enola Gay e Little Boy








* Victor Nogueira (ver também as hiperligações no final deste artigo)
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Quem julga os Aliados «democráticos» pelos crimes em Dresden ou no Vietname ou na Argélia ou nas ex-colónias portuguesas? Quem fala dos milhões de mortos pelos nazis na URSS e dos EUA que só entraram em Guerra quando viram que a URSS ia levar nazis e fazcistas até à praias de Portugal? Sim, que não fazia mal que Hitler derrubasse e escraviza-se a URSS sem a qual os nazis teriam feiro o geito ao capitalismo,
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Os criminosos de guerra, como os nazis, desculparam-se com as ordens superiores. Por isso há tantos traumas e stress da guerra entre os combatentes portugueses ou americanos no Iraque ou Vietname. Dorme bem com os mortos quem é carrasco ou criminoso empedernido e desumano. E sabem lá o que é o Holocausto nuclear alguns dos comentadores on line do Correio da Manha.
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O autor de crimes de guerra e contra a humanidade que «cumpriu ordens» e se orgulhava de nunca ter dormido mal e que dava pelo nome de Paul Tibbets partiu para uma «brincadeira» como o mostra o seu ar alegre na carlinga do Bombardeiro e não encontrou melhor nome para baptizar o «monstro» que o nome da mãe - Enola Gay - (Enola Alegre) e os americanos de chamaram à arma mortífera carinhosamente «litle boy» ou «rapazinho»
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Santa inconciencência ou irresponsabilidade!
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E no entanto as bombas eram desnecessárias porque aos EUA convinha fazer crer que o Japão não se rendera ainda e o que de facto era amedrontar a URSS, que eles, Churchill e nazis, não tinham conseguido derrotar, receosos das revoluções de 1918 que se seguiram à da Rúsia em 1917.
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Mas um tal Bush, pretenso Chefe Supremo dos EUA mas marioneta de quem defende o complexo militar industrial norte-americano, pretende agora arrasar o Irão em três dias à bomba nuclear - 68 milhões de iraneses que nada contam como para nada contou a população do Iraque, cujo ditador, Saddam, era um anjo face ao cowboy que o descartou, vaqueiro (não confundir com vampiro) que ainda não explicou o 11 de Setembro, como Salazar ignorou os avisos feitos pelos EUA acerca da sua UPA, deixando massacrar as populações do Norte de Angola, a 15 de Março, para ter um pretexto para a guerra colonial que durou 13 anos.
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The Show Business continua!
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Ver no Kant_O XimPi
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Imagens - George W Bush, Paul Tibbets antes da partida para a criminosa missão e alguns efeitos do lançamento do «rapazinho» sobre Hiroshima

domingo, 11 de novembro de 2007

Retratos (25) - Um homem na Lua

* Victor Nogueira
Ontem um bêbado abordou me quando via os livros na montra da Livraria dos Salesianos. Queria saber qual era a melhor história que ali estava. Ou a maior ? A de todo o mundo! De todos os tempos. Que todos aqueles livros eram mentiras. Para as pessoas comprarem pensando serem verdades. Era a máquina! Se eu acreditava que o homem tinha ido à Lua, se eu vira com os meus olhos. Que os jornais e os livros só diziam mentiras. Que nenhum homem pudera ter ido à Lua porque ele não vira. E que eu tinha sido enganado pelos jornais. Era mentira, talvez tivessem ido, mas tinham morrido todos. Que isso dos submarinos andarem debaixo de água era diferente: era a Terra. Quanto pagaria eu para ele me contar uma história daquelas, vinda do fundo do coração? ( E vai daí, faz um gesto como que proveniente das profundezas do mesmo mas, ou pela bebedeira, ou lá porque fosse, o gesto iniciou-se baixo demais e não pude deixar de comentar com a minha habitual ironia: "O seu coração está baixo demais!". ) Quis saber o que eu fazia - se era escritor e já escrevera o meu livro - e não acreditava que eu vivesse do ar e do vento. Enfim, que se tivesse 25 anos como eu estava mas é em Lisboa, que isso sim! E lá se ia agitando desequilibradamente o velho (de 57 anos), num asilo, convidando me (ou convidando se) para um copo ali na taberna, beata ao canto da boca com um grande morrão e deitando perdigotos como nuvem rota em dia de inverno. Mas nem queiram saber a insistência com que ele duvidava da ida dos homens à Lua. (MCG - 1972.10.23) ~ Évora

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Retratos (24) - Ai que mataram a Maria !

* Victor Nogueira
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O João e o Carlos foram a Arraiolos apreciar um órgão setecentista pelo qual este se apaixonou. Na Igreja entraram e ao coro subiram, para apreciá lo, autorizados pelo pároco. E ao descerem, o insólito! Não foram presos por uma unha negra. Contava uma velhota, que tinha estado à janela com o marido: "Ó "qualquer coisa", entraram dois homens para a Igreja, que não conheço!" Tiraram se de cuidados e assomaram à porta do templo, chamando pela Maria (a mulher da limpeza) Mas da Maria nem voz nem presença. "Ai que mataram a Maria!" "Ó homem, o melhor é chamar o Cabo da Guarda." (A Igreja fora assaltada na semana anterior). Mas, ou a Maria ou o prior apareceram entretanto. O que livrou o João do risco e do perigo de justificar (!) o tubo do órgão (uns 40 ou 50 cm) que, ao descer, trazia debaixo do casaco ... como recordação (sim, que um tubo dum órgão setecentista não são ... dois anéis num supermercado). Mesmo sendo diferentes a "lata" e o descaramento. (MCG - 1973.11.27)

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Fui como ervas e não me arrancaram (11) - Amo a liberdade, a solidariedade e a igualdade, mesmo que sejam um punhal cravado no meu peito


* Victor Nogueira

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Eu passei apenas para dizer olá, porque nada mais tenho para dar a quem quer que seja, a não ser palavras e as palavras são apenas palavras - cegas, surdas e mudas.
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Quem sou não interessa. Sou apenas um rosto anónimo no meio da anónima multidão que corre, passa e está para além de mim. O Sol e a Lua continuarão a sua andança, até ao baque final. Quantas pessoas encontram alguém caído no chão e afastam-se, embora se comovam com os cães e os gatos e outras miudezas animais. Como passam insensíveis e incomodados com os sem abrigo dormindo «protegidos» por cartões, não porque eles existam, no meio do luxo, da vaidade e da ostentação dum punhado de «senhoritos», mas porque deveriam ser exterminados para não incomodarem com o seu mau cheiro e farrapos quem por eles passa. Que se incomodam com dez, duzentos ou três mil mortos, em Portugal, na Espanha ou nos EUA, mas não têm consciência do sofrimento, da fome, do horror daqueles que em mome da «liberdade» e da »democracia» são diáriamente mortos e aniquilidas aos milhares ou milhões, duma vez ou gradualmente.
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Perante este mundo virtual nada tenho para dar senão o meu silêncio. E a minha ajuda, combate e solidariedade no mundo real, que cheira mal e causa mau estar e vómitos.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Fui como ervas e não me arrancaram (10) - Para lá do retrato ...


* Victor Nogueira
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Olho para ti: estás com um ar sério,[doce], semi-determinado, com um optimo enquadramento [e movimento]. Não deixas que te vejam os olhos da alma pois estás de óculos escuros. Demonstras bom gosto ou um bom consultor de imagem (m/f). Esta última é a brincar.
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E a fotografia, com um certo mistério, leva-nos a perguntar: quem é a que está retratada com tão bom gosto? Mas só mostras o rosto e uma imagem é apenas uma imagem, neste caso um jogo de pixéis e de cores. O que vemos é uma aparência de ti. Cada um de nós é diferente para cada um dos outros. E cada um de nós é mais que o exterior.
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Para conhecer a alma e o coração de ti temos também o que escreves. Mas o poeta é um fingidor... como diz Pessoa, ou o malabarista das palavras, como escrevi eu. Portanto só te conhece verdadeiramente quem contigo conviver em variadíssimas situações, mais ou menos quotidianamente.
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Mas, lá estou eu filosofando. A terminar, fica a beleza e o bom gosto da imagem que na foto transparecem.

Retratos (23) - A malta de Lisboa

* Victor Nogueira
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É quase meia noite. (...) Hoje não me apetece nada ir a Lisboa! Lisboa é andar dum lado para o outro, a azáfama sem sentido. Outrora era a Universidade e a Associação dos Estudantes [do ISCEF] e o cinema. Depois, já em Évora, era a Emília e os nossos almoços e as conversas sobre o momento político e o movimento estudantil. (1) A ela se juntou o Luís Filipe (2), que andara comigo no 1º ano de Sociologia. Mas ... a Emília passou e a sua presença amiga e gentil é a lembrança da mulher e do afecto que não tenho nem consigo dar. O Luís Filipe é a divergência de caminhos: a minha radicalização - ao menos teórica e intelectual - e a sua aceitação desta sociedade, revelada no curso que tirou, no emprego que arranjou, na vida que levará. (MCG - 1973.11.16)
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Nunca o meu desencanto por Lisboa foi tão grande. Outrora, no outro tempo ... Havia os grandes passeios, os encontros, as idas ao cinema. Era o tempo da disponibilidade do Luís Filipe, da Emília, do Lampreia, do Zamith, do Martins Pereira, da Luísa Seia, estes [três] de Angola e meus velhos companheiros de Liceu (O Zamith já vinha da escola primária). Mas o tempo casou uns e levou outros e mesmo que ainda os veja, como estão distantes de mim! Passaram todos, e eu fiquei. (MCG - 1974.04.04)
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1 - Mais a malta de Angola e do Colégio Universitário Pio XII (o Jorge Zamith, o Martins Pereira) e do Centro de Estudantes Católicos de Luanda (o Duarte Pousada, o Duarte Pedro e uma moça de Carcavelos, a Luísa Seia).
2 - Mais a Isabel, com quem casou, e a Violete

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Retratos (22) - O Carlos

* Victor Nogueira
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O harém do Carlos
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O Carlos faz hoje 24 anos, mas preferiu o harém dele a mim e ao Camilo. O nosso jantar fica para amanhã. (MCG - 1973.06.17) - Évora
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Está tudo dito: é um sentimental
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Disse ao Carlos que ia casar a 1 de Agosto. Ele ficou tão comovido, tão comovido, que até me deu vontade de rir. 'Tadinho dele. Depois disse lhe que tínhamos acabado tudo, e ele ficou tão triste, tão triste, que nem imaginas. Está tudo dito: é um sentimental! Se ouvisses os elogios que ele te fez, que nós estávamos talhadinhos um para o outro, blá, blá. De modo que tive pena dele e disse lhe que sim senhor, que íamos casar a 1 de Agosto. (MCG - 1973.06.26) - Évora

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Fui como ervas e não me arrancaram (9) - Persistência da «Memória»

Salvador Dali - A Persistência da Memória - 1931

Salvador Dali - A Desintegração da Persistência da Memória - 1952/54



* Victor Nogueira
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Nas tuas deambulações nunca viste cadáveres mumificados? Eu já, vários, um deles na Sé de Braga. Todo o mundo é sempre composto de mudança, disse Camões noutro contexto.
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Olhei para a foto do faraó e pensei: tão feio! Mas posso imaginá-lo como seria, «reconstitui-lo» como agora se faz em computador, a partir duma caveira ou dum esqueleto. Isto em relação a quem não conhecemos, na realidade ou na imagem.
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Alguém da família tinha de ir assistir ao levantamento das ossadas do meu irmão e fui eu, como fui eu que fora identificá-lo à morgue. Mas o meu irmão não são aqueles ossos descarnados e com roupa meia desfeita, mas aquele que tenho na minha imaginação e no meu coração.
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Que seria de nós se não conseguissemos ver doutra maneira, apesar da «frieza» e do racionalismo? Que seria de nós se não tivéssemos imagimação ou o sonho obrigatório ao menos enquanto dormimos? Porque fotografas, moça?
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ver Paulo Bedaque - Quadros de Dalí
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Acerca do Nú, do Desejo, do Pensamento e do Juízo sobre nós e outrem




  • Victor Nogueira

Não sei o que significa «recordar-me» mas deixei lá a bolinha. Vim aqui por causa dum cartoon do Bush e depois fui vendo os blogs da lateral, como sempre faço. Alguns despertam-me a atenção e vou vê-los e desses passo a outros. Este tem efectivamente um título apelativo, seja para machos, seja para fêmeas. Fui ao 1º post e gostei. deambulei pelos outros e procurei em vão descobrir o autor da gravura de abril 25, 2005, pois com o zoom a imagem perde definição.


Voltei ao princípio e deixei-me levar pela apreciação das imagens, mais do que pela leitura, não por demérito teu mas por cansaço e falta de disposição para ler. E de repente lembrei-me de duas histórias. No tempo em que conversava nos chats, as minhas interlocutoras por vezes referiam a javardice e ordinarice do viril macho lusitano. Mudei de nome e entrei com um nick nada provocatório: «Gatinha Doce». Em menos dum minuto tinha montes de luzinhas a piscar. Dois convidaram-me logo para a cama e outro até me enviou uma pretensa foto dele com o seu iate. Outros dois «apaixonaram-se» e os restantes tiveram uma conversa banal.


A outra história, também verídica, é a de uma amiga minha engenheira que foi nomeada chefe duma sala de desenhadores (projectistas). Estes, tal como em muitas oficinas de quintal ou em balneários masculinos da classe D ou E, tinham as paredes cheias de mulheres mais ou menos despidas, em poses mais ou menos eróticas.


A minha amiga foi parando em frente de cada foto, como se estivesse a admirá-la, e chegando ao fim disse que tinham bom gosto, mas como ela era mulher e gostava de homens, especialmente nus, entendia que a partir do dia seguinte, por uma questão de igualdade, nas paredes também deveria haver fotos de homens nus e similares.


No dia seguinte as paredes estavam vazias!


Não há qualquer moral nestas histórias, verídicas, é certo, mas simples carreirinha de letras ou códigos uns a seguir aos outros.

Da vista gostei. Do 1º post também. Noutra altura passarei à leitura dos restantes.


Comentário em Sem Pénis Nem Inveja

no post EU-NÃO-SOU-MENOS-DO-QUE-ELE-MAS-SOU


Imagem de autor não identificado, retirada do post de 2005 Abril 25

sábado, 3 de novembro de 2007

Fui, como ervas, e não me arrancaram.(8) - Onde estão as minhas raízes?


* Victor Nogueira
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Onde estão as minhas raízes?
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Sim, onde estão as minhas raízes? Em África? Por razões óbvias, ninguém me «insulta» dizendo «vai para a tua terra»! Mas ... qual é a minha terra? Qual é o meu mundo? Quem são os meus «manos«? Não há resposta que não seja cerrar os dentes, conter as lágrimas e seguir em frente, o corpo numa armadura sorridente.
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Das minhas raízes fala-se aqui Raízes e aqui ELEGIA PELA MINHA FAMÍLIA DISPERSA ou em OBRIGADO e também aqui Ecce Homo (1)