sábado, 16 de fevereiro de 2008

Cartas (1)

* Victor Nogueira

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Querida namorada

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Gostei de falar contigo ontem; eram uma voz e um riso bonitos. Estou tão contente - lá no fundo - por ti e pelo que tu representas que me apetece abraçar, beijar ou falar com as miúdas que se cruzam comigo que se sentam nos bancos do jardim ou ao meu lado no comboio. Mas como correria o grave risco de ir parar ao banco do hospital, ao xelindró ou ao manicómio, por atentado á moral e aos bons costumes! ... Pois é namorada, como reagiria eu (como reagirias tu) se uma mocinha (o) (como dizes) me beijasse (ou a ti) ao cruzar se comigo (ou contigo) ou tivesse gestos de ternura no breve tempo duma viagem entre duas estações? Bem sei o que muitos dizem e pensam da Lídia, lá em Évora! Elas não podem ou não devem fazê lo, para não serem tidas por destravadas, eles também não, salvo se quiserem passar por D.Juans ou marialvistas! Assim, Celeste, (para teu descanso e da autorização do "flirt") resta me olhar e ver o mundo e as pessoas com mais amor e serenidade (até quando?)

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Estou na sala de jantar da casa onde moram as minhas tias. A tarde hoje está enevoada. O sossego apenas é quebrado pelos pássaros cantando lá em baixo nas árvores que o vento agita. De vez em quando passa um carro. Ao fundo do corredor, noutra sala, a minha tia Maria Luísa ocupa se com os seus trabalhos de costura (é modista) enquanto fala com a Bela, uma miúdita da vizinhança que vem ajudá la por estar em férias e nada ter para fazer (que grande desperdício são as férias!). Ainda não vi a minha tia Esperança, pois ainda não fui a Lisboa e estes têm sido dias em que ela fica em Porto Salvo. Como Lisboa ainda fica a 20 minutos daqui (viagem de comboio) ela só cá vem jantar e dormir, apesar da farmácia de que é directora técnica ser a dois passos do Cais do Sodré. Este é um dos inconvenientes de Lisboa: está longe e tudo lá fica temporalmente longe, os amigos e os acontecimentos - apesar das facilidade de transportes - tornando os dias cansativos, pelas correrias a que nos sujeitamos e de que já estou desabituado. Que contraste com Évora, onde tudo respira lentidão e quietitude!

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Mas não é só o bulício e a azáfama constantes que se tornam cansativos. Também e ainda mais o "far niente" (nada fazer). Daqui a pouco vou até ao jardim cheio de gente estudar umas coisas, aguardar o "Diário de Lisboa" e desentorpecer as pernas e o corpo. Que isto de estar parado sem nada fazer ainda me é mais cansativo. Como diria a D.Vitória: "O sr. Nogueira é um insatisfeito". Eu acrescentaria: "porque gosto do equilíbrio". Bem, mas prometo que hoje não farei tiradas como as da carta de ontem, em que algumas passagens teriam de ser modificadas para corresponderem melhor á realidade. Consequências de escrever sob pressão!

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E afinal cheguei ao correio com 1 (um) minuto de atraso, perdendo assim a tiragem das 20 h !!! Disseram me lá que a das 22 também servia. Espero que sim.

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Mas, namorada, reparo que se não tenho cuidado passarei as horas a escrever te. Vês, efeitos de ter uma caneta ágil, (só a letra é que não prima pela legibilidade, o que também me aborrece) e de tu estares longe. Portanto vamos pôr um pouco de disciplina nisto. Vou mudar de roupa e no jardim estarei um pouco mais contigo! (Aqui o Victor prepara se para levantar se, contente beija a Celeste, com muito carinho e delicadeza - enquanto são namorados são todos atenções, o pior é depois ... ) E pouso a caneta.

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No jardim. "É palerma, a mocinha!" Só á tarde recebi a tua carta, pouco antes de sair. E foi porque resolvi lanchar antes: dois pêssegos, uma banana, um iogurte com batatas fritas que sobraram do almoço e um raspanete da Maria Luísa ... por eu não ter tido pachorra para fazer o leite em pó!) "É palerma a mocinha, namorada do Victor !" Sabes, és uma cabecinha de alho chocho! E se de vez de se deixar invadir por um mar de confusões fizesse umas pausas e intervalasse? Esperei pelo teu telefonema até ás 18 h de 2ª feira. Sem grandes esperanças, porque de manhã uma das empregadas dos CTT me confirmara a minha suspeita ao informar me que na véspera (domingo) não houvera a habitual tiragem das 22 h 30 m.

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Como não sabia da menina Celeste (febril algures na Salvada), como não sabia como reagiria ao meu pedido de namoro (as cartas iriam para Lisboa, como fora combinado) só me restava uma solução: abandonar Évora. Contrariamente ao inicialmente programado resolvi adiar a partida para o dia seguinte: duma cajadada matando dois coelhos, isto é, aproveitando a passagem da camioneta em Setúbal para uma "breve pausa" para visitar amigos, o casal Armindo Gonçalves, amigos de Luanda, e a Noémia! A tua carta estava em Lisboa, qualquer que ela fosse, e a vida continuava! Cheguei pois a Paço d'Arcos ás 23 h desse mesmo dia e pouco depois tive a confirmação oficial da nossa nova situação. 'Ta percebido, namorada! Então vá lá uma beijoca, sem rios tumultuosos e violentos!

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Ah! outro pormenor importante: não sabia que a tua amiga Chiquinha já regressara de férias; também não me seduzia pedir a um Guarda Republicano para ir chamar te para atenderes ao telefone 2ª feira á tarde para saber se havia alguma hipótese de nos encontrarmos ainda em Beja! Chamar te, ou á Teresinha ou ao teu mano António (a que propósito iria chamá los ... para perguntar da Celeste?!) Vá lá, mais uma beijoca, mocinha marinheira! Que ia morrendo afogada!

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Olha, mando te uma banda do "Diário de Lisboa". Tem montes de piada!

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Hoje está desagradável no jardim: hoje ventosos e fresco. As minhas notas de ontem, carta que não escrevi, começam: "Uma tarde estival, quente e luminosa, no jardim de Paço d'Arcos ... " Tudo o resto é praticamente o mesmo. Os carros passam velozmente além na marginal, e o Tejo é azul. As crianças correm e brincam pelas áleas e vêm se muitos triciclos e bicicletazinhas. A esplanada está cheia de gente que conversa. Além á esquerda vejo o barracão feio do cinema da vila: apenas 3 sessões semanais no verão: terças, sábados e domingos. Quero ver se em Lisboa vejo dois filmes de Orson Welles (um dos quais pela 2ª vez é um dos melhores de todos os tempos: "O Mundo a Seus Pés") e uma comédia "Trinitá, o Cowboy Insolente".

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Não é muito legível a escrita sobre os joelhos, sentado num banco do jardim. O melhor é ficar por aqui e comprar o jornal, passar pelo correio para deixar esta (hoje é 10, quando a receberás?) e regressar a penates.

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Lamento as tuas férias. Porque se Évora é o que é! ... Até 2ª feira traçarei definitivamente o meu programa de férias. Ouve lá, namorada, tu não tencionavas passar uns tempos em Lisboa, em casa duma prima tua? Porque desististe desses projectos?

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Diz me pois se podes, quando e por quanto tempo poderias vir! Se preciso fosse trarias a Emília como guarda costas.

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A vires, teria de ser até meados de Setembro. Porque só por essa altura sai o mapa de exames de Outubro, que poderá exigir a minha presença em Évora (Depende principalmente da data do exame de Demografia)

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[A Bia parece me que não chegou a telefonar me para Paço d'Arcos. Aquilo parece me que é outra rapariga que sonha ou planeia muito].

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Vou mesmo interromper. Ainda bem que te vais habituando á minha letra.

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Dá por mim cumprimentos aos teus. Um abraço á Emília. Breve lhe escreverei.

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Salut, namorada.

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Paço d'Arcos

10 AGO 72 VM

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PS. Reparo que de hoje a cinco dias escrevia te eu há um ano de Luanda, no dia da cidade. As voltas que o mundo dá. Que voltas dará até daqui a um ano?

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Postal (20) -- Évora - 1972 (2)

* Victor Nogueira
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Paço de Arcos
72.09.04
MCG

(humorístico)

Miúdos

Passei eu pela tabacaria para comprar um postal para [a minha tia] Maria Teresa que faz amanhã anos e dei com vários postais engraçados, um dos quais me deu (e está dando) uma enorme vontade de rir. Aqui to envio, com abraços e beijos. VM


Paço de Arcos
72.09.06
MCG

Lisboa, Castelo de S.Jorge, flamingos

Ora viva, amiga Celeste, como vai esse valor ? Depois duma carta tão "profunda" como a que te enviei hoje, aqui ficam mais um recanto do Castelo de S.Jorge e uma historieta do "Século" com certa piada. Cordiais saudações e abraços do VM


Paço de Arcos
72.09.12
MCG

(Arte)
Vayreda,

Estio (fragmento)

Viva, C.

Saio de casa na brasa e consigo chegar aqui a tempo de escrever estas linhas e apanhar a tiragem das 12 h. Recebi as tuas cartas ontem (2 cartas e 1 postal !) Puxa!


Gostas do postal, gostas? Ora, uma sonhadora realista como ela, gazela campestre, não houvera de gostar destes verdes todos, mais o riacho e as meninas e as árvores e animaizinhos ... Inté ouves os passsarinhos chilreando e o rumorejar das águas. Vejam lá!


Bem, resolvi ir para Évora no dia 20. Encontramo nos em Beja nesse dia?


Até lá saudades e abraços do VM


Paço de Arcos
72.09.13
MCG

Lisboa, Alfama

Cá estamos novamente para um passeio pela Alfama. O que me chamou a atenção neste postal é a vida que ele contém ! Alfama será um bocado isto: as ruas estreitas, as sacadas florida, as gaiolas penduradas, a roupa estendida à janela, a mercearia com bata nova a 2$00 o kg [1972]. Lá estão também os miúdos que brincam, o homem da pipa (será o aguadeiro ?), a mulher com a criança ao colo, mais pessoas na sombra ... E até não falta a torre sineira duma igreja que não identifico!


Que mais dizer te? Da minha chateação e cansaço pela contrariedade dos exames? Das minhas saudades tuas e também (porque não?) de Évora e da malta, como o Camilo que me escreveu hoje?


Tenho recebido as tuas notícias. E se mo permitisse passava horas a escrever te. Mas como o estado de espírito em que me encontro (por causa dos exames) seriam cartas "chatas" para os dois e talvez inoportunas. Espero que me escrevas, mesmo que recebas apenas breves postais como este. OK Celestinha? No dia 20, ido de Lisboa para Évora, encontrar nos emos em Beja. Até lá abraços e beijos do VM


Paço de Arcos
72.09.15
MCG

Lisboa, Elevador de Santa Justa

Da Alfama medieval para a Baixa Pombalina, eis a rota do nosso passeio. Também gosto desta "vista". Repara que enquanto Alfama é residencial, a Baixa é essencialmente comercial. Uma única semelhança: os candeeiros das iluminação pública [1972]. Anúncios luminosos, automóveis, e ruas mais largas são o contraste (Quando andava na 4ª classe [em Luanda] e ouvia falar nas ruas do Marquês, imaginava-as em largura à medida das de Luanda ... que têm o dobro ou o triplo destas!). Ao fundo fica o elevador de Sta. Justa, que separa o Largo do Carmo da Igreja do mesmo nome, cujas ruínas se avistam do lado direito - os dois arcos em ogiva. Esta é uma das igrejas da expressão "Cair o Carmo e a Trindade" (após o terramoto de 1755).


Soube que telefonaste ontem. Ao chegar a casa ás tantas da madrugada li a tua carta. Dela te direi que procurei o [Urbano] Tavares Rodrigues para tentar saber com quem te identificavas, Nada mais! Noto que a tua ambiguidade para além do imediato continua. Não me coibirei de oportunamente te falar nisso. Porque não tenho receio de falar nos meus planos e projectos ou comunicar os meus pensamentos. Incomoda me a tua reserva, a tua falta de à-vontade comigo, o teu receio de falares e, assim, comprometeres te. Salut e abraços do VM


Lisboa
72.09.17
NSF

Lisboa, Castelo de S.Jorge

Fiz boa viagem e no avião escrevi uma carta, que deve ter ficado na mala que depositei na estação. Estou com uma tal carga de gripe que só me apetece enfiar me na cama. Ficarei em casa da tia Esperança, talvez até domingo. O horário dos comboios foi alterado. Vou almoçar. Devem escrever me para Évora. Este é o primeiro duma nova série de postais.


Saudades e Abraços. VM


Évora
72.09.27
MCG

Lisboa, Alfama

Do Victor para a Celeste


Ah! querem uma luz melhor que a do Sol!
Querem prados mais verdes que estes!
Querem flores mais belas do que
estas que vejo!
A mim este Sol, estes prados, esta flores
contentam me.

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Mas se acaso me descontentam
o que eu quero é um Sol mais sol
que o Sol,
O que eu quero é prados mais prados
que estes prados,
o que eu quero é flores mais flores
que estas flores -
Tudo mais ideal do que é do mesmo [modo e da mesma maneira!


(Alberto Caeiro)


(...)

Corre pelos vagos campos até mim uma [brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome; e não [sou eu; sou feliz (...)


(Alberto Caeiro)


Também eu trago a saudade
nos sentidos
Se dissesse que não era mentira


Também eu perdi um cão
casas
rios


Mas hoje
tenho mulher
amigos
e uma saudade mais real
é que me inspira


(António Reis)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Postal (19) - Évora - 1972 (1)

* Victor Nogueira
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Évora

72.05.27

JNS

Beja,

Convento de N.Sra da Conceição

Caro Zecas


Daqui de Évora uma pausa dos estudos enquanto a brisa fresca da [madrugada]o quarto e o gira-discos [...] "jazz", daqui de É[vora ...] teu longo, inexplicável [...] te envio um forte e cordial abraço no clube dos maiorais que é como é quem diz pelos teus [21 anos]. Como vai o teu 7º ? Sempre tencionas fazê-lo todo agora ? Bom êxito. E a tropa, quando assentas praça? Daqui a uma semana tenho o 1º exame [Veremos] como corre isto. Escreve, OK ?Abraços do VM


Paço de Arcos

72.08.02

MCG

Paço de Arcos

Passearemos apenas aqui em Paço de Arcos. Sairemos aqui de casa, apreciarei a casa onde moram as minhas tias [na Rua de Macau], que tem um jardim pouco cuidado, que pertence à senhoria [a D. Manuela], que mora no r/c - nós moramos no 1º andar. Atravessamos a linha férrea, iremos até ao Paço dos Condes de Qualquer Coisa - na foto - um recanto bonito e antigo. Tomaremos a rua Costa Pinto - com prédios que devem ser do tempo do Marquês de Pombal e, junto à tabacaria, viraremos para o jardim, onde agora está a "feira" [Festa do Senhor Jesus dos Navegantes]. Veremos os cartazes do cinema [Chaplin] [1972] e as pessoas que passeiam. Sentamo-nos no jardim, trocando ideias sobre as notícias do jornal. De vez em quando também uma beijoca (quando o polícia não olhar !). Esperemos que nenhuma das duas velhotas se escandalize. Queres ir tomar ali qualquer coisa ao bar? Retomaremos o passeio pela marginal, ultrapassaremos a doca e iremos até à praia tomar banhos de sol. De mar não, por causa da poluição. E como o tempo falta - a tiragem é às 17 horas - regressaremos passando pelo Mercado e rumo aos CTT, apreciando os prédios do J.Pimenta, junto à Igreja nova, onde nunca entrei.


Beijos e abraços do VM


Lisboa

72.08.30

MCG

Lisboa, Castelo de S.Jorge

Iniciamos hoje a nossa visita a Lisboa pelo Castelo de S. Jorge, à sombra do qual se foi desenvolvendo a cidade. Note se que na fotografia o castelo está rodeado de casario, enquanto que por exemplo em Évora as muralhas rodeiam a cidade. Alfama é um bairro muito afamado entre os turistas. É um bairro de ruelas apertadas e tortuosas, que vem do tempo dos visigodos, de gente que trabalha ou vive à custa dos ainda mais miseráveis. A realidade é mais dura que a do fado lisboeta. No canto superior esquerdo pode ver se o panteão de S. Vicente, local de repouso de algumas figuras gradas da história pátria. (O panteão está na Igreja de Santa Engrácia) a das "obras de Santa Engrácia", que foram intermináveis. Por aquelas bandas fica a célebre Feira da Ladra, às 3.ªs e 6ªs, onde ainda não fui. Reparando melhor, parece me que a indicação da legenda do postal está errada: o casario em primeiro plano parece me da Mouraria e não de Alfama, que será o que está para lá do castelo. Para os lados do Panteão é outro bairro típico: o da Graça, velho, é certo, mas onde mora gente bem ou com pretensões. O Rio ao fundo é mesmo o Tejo (não coube todo na foto). As docas são as do Terreiro do Trigo (à esquerda) e da Marinha (à direita). Mais para a direita ficam a estação Sul e Sueste (barco para o Barreiro, comboio para o Alentejo e Algarve) e o Terreiro do Paço. O castelo tem locais muito bonitos e aprazíveis. E por hoje é tudo. Beijos e abraços do VM


Paço de Arcos

72.08.31

JNS

Tomar, Convento de Cristo

Ora viva, seu [...]


Parece mas não é o Mosteiro da Batalha. Também eu me enga[nei]. Então, esses ossos como vão? Há já muito que ando para saber notícias tuas. Escreve me para a Rua de Macau nº1 - Paço d'Arcos, onde estarei até meados de Setembro. O postal dá para pouco mais notícias. que ficarão para a próxima, não vá o espaço faltar para o abraço amigo que daqui te envio. VM


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72.09....

MCG

(humorístico)

casal conversando à beira-mar, com o jovem acariciando o rosto da rapariga

Para a Celeste

com amizade e ternura


Os meus lábios, mudos de beijos

Os dedos em gestos de veludo

Desenham sonhos no ar


De uma carta da Celeste para o Victor. Do Victor para a Celeste.


Dentro de mim .... Este estribilho canta qualquer outra oculta praia

do oculto mundo. Qualquer sinal há nele que não sei entender

Dentro de mim, Senhor, dentro de mim quem terá morrido?


VM

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Postal (18) - Évora 1971 (2)

Évora

71.06.04

NSF

Beja,

castelo

Esta torre tem umas vagas semelhanças com a de Belém. O dia hoje está invernal. Até parece que as estações vão mudar, passando o Verão a Inverno e vice-versa . Tive hoje o primeiro exame desta fornada - Legislação Internacional do Trabalho - com 14 valores. Soma e segue.


Vou até ao café e lá para o meio da tarde começo a preparar o próximo: Técnicas de Investigação Social.

Saudades e abraços do VM


Évora

71.06.09

JNS

Beja,

Igreja de Santa Maria

Caro Zecas


Ao mexer na papelada, descobri a lista do que me pediras para enviar-te ... quando chegasse à Metrópole! Bem, "adelante". Gostaria que me dissesses se ainda estás interessado nas anilinas, na folha de ouro bem como no livro francês de banda desenhada (ainda sabes o título, autor e editor?) E dos livros da IBRASA, quais os que pretendes (ainda?) Em relação a estes não me comprometo. Onde poderei comprar as anilinas e a folha ? Diz lá com tem[po o que] pretendes, mas nada de abusos pois [isto] de finanças está mau, apesar de seres meu credor. Desculpa lá o mau jeito. Saudades e abraços do VM


Arraiolos,

o Castelo


Évora

71.06.14

NSF

Beja, piscina

Não cheguei a passar este fim de semana em Beja, declinando assim um convite que me fizeram. Saíram hoje as notas de Técnicas de Investigação Social. Tive 12 valores. Quarta ou quinta devo fazer exame de Direito Corporativo. Cada vez estou mais farto desta fantochada dos exames. Eu que sempre me estive nas tintas para as notas, começo a preocupar-me com elas e com as vigarices, arbitrariedades e violências dos exames. Daqui até ao fim ainda me faltam 15 exames (já fiz quinze, sem contar as reprovações), além dum vergonhoso e pomposo exame final de síntese !!!


Saudades e abraços do VM


Évora

71.06.17

NSF

Évora,

Rua João de Deus

Inaugurei hoje a minha época de piscinas. O tempo está quente e a água, embora fria, é agradável. Fiz hoje exame de Direito Corporativo, com 15 valores. Afinal só tive 11 a Técnicas. Estou no Café Arcada, onde vim lanchar, como habitualmente. Um mau hábito adquirido em Évora. Enquanto lancho vou lendo o jornal, inteirando-me especialmente do que se está passando na Assembleia Nacional.


Saudades e abraços do VM


Évora

71.06.21

NSF

Alentejo, pastor e seu rebanho

Entregaram-me hoje as massas que eu pedira. Gracias (Achei desnecessário enviar um SOS). Do mal o menos e o que interessa é que o teu carro ficou como novo. Os resultados do concurso só são publicados nesta quinzena, pelo que não sei como está isso da passagem. Não há problema. O Verão começou e as idas ás piscinas também.


Saudades e abraços do VM


Este postal parece uma pintura.


Casa Branca e Évora

71.09.19

NSF

(Não enviado)

Lisboa, Rossio

No Comboio entre Casa Branca e Évora 21h 25m de 19 SET 71 - O comboio está quase a chegar a Évora.


Évora

71.10.06

LAF

Évora, Sé Catedral

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Uma palavra antiga

mais nada.

Eh! amiga, camarada!


Eh! onde quer que o sonho

leve teu corpo tenso, teu sabor

[ campesino

(agridoce) de azedas e medronho,

tua voz - aurora, sol vitorioso, sino.


motivo de cantiga,

anónima e amada

eh amiga, camarada !


(Daniel Filipe, in "O Viajante clandestino")


Como vais? E os teus exames ?

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Saudades a todos do VM

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Évora

71.12.02

JNS

Lagos, Igreja de Sto António (interior)

Re[cebi ho]je uma carta tua. Por causa das [trans]ferências seria preferível que [os] teus pedidos fossem pagos aí ao Zecas Jones, pois as minhas finanças ficaram muito abaladas. [...] que digas à Mãe para compr[ar ...] peixes de madeira ou semelh[antes] [... i]guais aos enviados pelo Zeca Jones [à tia] Esperança, e que mos envie por ele ou por barco.


Saudades e um abraço VM


Não te esqueças que me prometeste uma obra tua.

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Postal (17) - Évora 1971 (1)

* Victor Nogueira
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71.01.16

NSF

(humorístico) casal jovem, com viola, desfolhando uma flor

Foi hoje comunicado o texto dos dois diplomas fundamentais da reforma geral e do ensino superior. Á primeira vista a nossa posição não parece ser das mais brilhantes, tendo em conta as nossas ambições e pretensões. Peço que me seja enviado, o mais depressa possível, uma cópia do projecto de lei de criação dos institutos politécnicos.


Saudades VM


Évora

71.01.24

NSF

(paisagem)

Plantação de arroz em Portugal

Preparo a frequência de Sociologia II enquanto ouço a "Valsa" de Ravel. É uma tarde de domingo, dum inverno já não rigoroso, aprazível. Sentado numa cadeira, os pés noutra, rodeado de livros, papéis e apontamentos. Daqui a pouco vou até ao café lanchar e ler o jornal. A dona da casa ainda não veio arrumar o quarto. A "Pedra Filosofal" é para o Zeca Jones.


Saudades VM


Évora

71.02.07

NSF

Beira Alta, pastor da Serra da Estrela

Está um domingo maravilhoso, daqueles que convidam á camaradagem e alegria.


Fiz frequência de Teorias Políticas (8 valores) e o exame de Gestão Comercial foi adiado. Vou sair para dar uma volta antes do almoço. Ainda não decidi se vou ao cinema á tarde. Amanhã, com os colegas do 4º ano, visitarei uma empresa em Torres Novas. Como vai isso aí por casa ?


Saudades e abraços do VM


Évora

71.02.16

NSF

Ribatejo - campinos conduzindo o gado

Hoje ao subir as escadas lembrei-me que há muito estava no frigorífico uma caixa de bombons enviada pela Mãe em tempos. Houve uma fraterna distribuição por todos os que estavam na cozinha. Gostaria de passar o Carnaval fora de Évora, mas as finanças não o permitem. Praticamente desde hoje não tenho aulas. Não irei ao exame de Teorias Sociológicas, depois de amanhã. Seria improcedente prepará-lo agora, pelo que fica em princípio para Outubro. O outro exame de que falei foi adiado para depois do Carnaval. Com a Reforma [Educativa] ficou em suspenso a duração (4 ou 5 anos).


Saudades do VM


25 Fev. Só hoje encontrei o postal. Abraços VM


Évora

71.03.08

NSF

Évora, Templo de Diana

O tempo hoje arrefeceu muito, estando verdadeiramente invernal. Daqui a pouco vou ao médico. Desde 3ª feira passada que estava de quarentena. Não sei bem porquê, pois o médico é pouco falador. Só sei que já não tenho temperatura e que tenho-me encharcado em antibióticos. Continuo com tosse. Vamos ver se consigo uma 2ª chamada especial, pois amanhã não vou ao exame (prática) mas talvez vá na 6ª à teórica. Depois escreverei.

Saudades e abraços do VM


Évora

71.03.11

NSF

Madeira, Camacha, mobiliário e vimes

Poemas Quotidianos" por António Reis


50.

Não é nas mãos

que desespero


As minhas mãos

só trabalham

e adormecem


esfriam

ou arrefecem


Não desmaiam

nem têm rios


Têm ossos

músculos

e sangue


poros também

por onde transpiro


mais nada têm


Saudades do VM


Évora

71.04.04

NSF

(paisagem)

moinhos ao entardecer, Portugal

Acabei de ver, na TV, o festival da Eurovisão. Eram canções a mais - 18 - pelo que não as posso destacar. Escrevo para pedir que, o mais breve possível, me seja enviado um certificado de residência de um dos meus dilectos progenitores, por causa da passagem de férias, que ainda precisa, no entanto, de ser falada.

Saudades e abraços do VM


Évora

71.04.16

NSF

Beira Alta, pastor da Serra da Estrela

Está um domingo agradável, estival. A noite está fresca. Tencionava escrever-vos mas não se proporcionou. Gostaria que as mesadas fossem depositadas o mais cedo possível. Vou emprestar a TV á tia Esperança.


Como vai isso? Os Ferreira de Almeida e os Andrade Ferreira vêm á Metrópole este ano!


Saudades e abraços do VM


Évora

71.04.20

MNS

CTT - Bilhete postal - $50

Querido Pai


Recebi ontem uma carta da Mãe com a caderneta militar, certificado de residência e mais umas coisas.


Escrevo para pedir o envio urgente de uma certidão do meu nascimento para efeitos do bilhete de identidade. Quanto ao estágio, tenciono fazê lo em Angola nas próximas férias grandes. Poderá ser feito num organismo governamental (de planeamento ou assuntos sociais) ou numa empresa (de preferência sector de pessoal).


Está um tempo maravilhoso. E tu, como estás?


Saudades do VM


domingo, 10 de fevereiro de 2008

Postal (16) - Évora 1969 (2)

* Victor Nogueira
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Évora

69.11.27

NSF

Évora, piscinas

Os postais com motivos de Évora começam a escassear. Penso que este não figura ainda na colecção do Zecas. Tenho saudades da praia.


Espero que o Pai esteja melhor. Recebi um amável postal da sra.D.Maria Arnalda convidando-me para um fim de semana. Ainda não sei onde passarei as férias. Talvez vá com os finalistas a uma viagem de estudo por todo o Portugal.


Saudades do VM


Évora

69.12.18

NSF

Évora, Sé, Nave central

Afinal sempre vou ao Porto passar parte das férias. Ficarei em Rio Tinto até ao fim do mês. O José João dá-me boleia a partir de Lisboa. As aulas recomeçam a 5 de Janeiro.


Essa saúde, como vai ?


Não sei se vos escreverei antes do Natal. Se o não fizer, aqui ficam os meus votos de felicidades e um saudoso e amigo abraço para todos.


Talvez aceite o convite da Maria Arnalda e passe uns dois dias [na Figueira da Foz] com ela e família. Saudades a todos.


Um abraço amigo do VM


sábado, 9 de fevereiro de 2008

Postal (15) - Évora 1969 (1)

* Victor Nogueira
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Évora

69.01.20

NSF

Évora, vista geral


Évora, uma ilha de pedra e cal branca no meio duma planície sem fim. Na foto nota-se o flagrante contraste entre a aridez dum lado e as verdejantes quintas. A Sé, com as suas três torres, um aqueduto, restos das muralhas, mais uns graníticos e frios e escuros e antigos e sagrados montes de pedra contrastam com a alvura dos edifícios. Assinalo com uma seta, ao lado do Templo de Diana e perto da Sé, o edifício do Instituto.


Saudades do VM


Évora

69.02.06

NSF

Évora, Praça do Giraldo e Igreja de Santo Antão

23:30 - Mais um dia está prestes a terminar. Vou até ca[sa] a pé e depois ... óó. Amanhã tenho o último exame desta 1ª época de frequências: Contabilidade I. Correram como os profs. julgarão. Dentro de uma semana começam as minhas férias de Carnaval. Ainda não decidi se vou a Lisboa. Brevemente escreverei mais longamente. Até lá saudades a todas as pessoas amigas. Para vós e Zecas Jones um saudoso abraço do VM

A seta (1) indica a rua onde moro e a (2) que vem dar ao Instituto.


Lisboa

69.09.28

NSF

Nazaré, saída para o mar

Chuvisca em Lisboa ... e eu sem guarda-chuva. Fiz boa viagem, com um miúdo muito conversador. O Pampulha veio no mesmo avião. Estou cheio de [...] Não vou ter frio em Évora [...] blusão. Uff! Talvez vos escreva hoje. Que tal essa disposição?


Cumprimentos à malta conhecida. Para vós um abraço (amigo) do VM


As tias e o Zecas Jones só amanhã regressam do Porto.


Évora

69.10.04

NSF

Évora,

Capela dos Ossos

O Homem põe ... e os professores dispõem.. Fui excluído da prova oral de Economia I, de nada valendo a consciência de que sei umas coisas daquilo. O ponto de Contabilidade, que foi o mesmo do ano passado (mudaram apenas os nomes das empresas e as datas das operações) correu-me bem. Vamos ver o que sai dali. No dia 9, o mais tardar, a sorte está lançada! Se as coisas correrem mal estou disposto a voltar para o ISCEF [Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras].


E é tudo por hoje. Cumprimentos à malta conhecida. Para vós um abraço amigo do VM

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Em conversa com ... (9) TODO O MUNDO E NINGUÉM - Deserto do Gobi


Olá

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Como não tens mail, só posso contactar por aqui. Não sei a que te referes quando perguntas sobre o que estou a escrever. Sobre nada estou a escrever e vou preenchendo o tempo com escritos antigos e alguns actuais, e outros de outrem, que pouco interesse devem ter ao contrário das minhas conversas outrora nas salas de conversação
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Ao contrário de lá, aqui os meus blogs devem ser desinteressantes ou «densos» e qualquer dia ficam a flutuar por aí, abandonados por mim, porque «falhei» no que pretendia com eles.
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São demasiado pesados, maçadores ou impessoais/impersonalizados sobre o meu quotidiano actual e pouco atractivos para a maioria. E assim continuarão até que deixe de publicá-los.
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Grato pela tua visita e pelo teu comentário
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Victor Manuel
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Não percebi ainda quem escreve e quem é a Joaquina, a Guida e o António. Isto aqui quanto a descobrir identidades verdadeiras é muito mais dificil que nas salas de conversação, onde depressa descobria com quem estava a falar e o verdadeiro nome. E era fácil trocar telefones e chegar à fala, se não olhos nos olhos, pelo menos de voz a voz.
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Aqui sou sempre o Victor Nogueira, tal como na vida real assino, sou conhecido e me apresento. Os medos, as defesas, as máscaras e/ou as «privacidades» aqui são no final maiores que nas salas de conversação E concluo como pessoa que são preferíveis as salas de conversação: conhecemos as pessoas e somos mesmo «obrigados» a falar, mesmo mentindo, mas aí a mentira ao fim de algum tempo fica a descoberto.
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AVISO que estou a falar de ninguém e para quem quer que seja em especial. Para evitar mal-entendidos a quem isto ler, mais ou menos apressadamente.

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ADENDA - imagem - Deserto do Gobi
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4.12.06

GRANDES VAZIOS - O DESERTO DE GÓBI


Imagens sugeridas por: José Veiga nº 15

Tema: Grandes Vazios Humanos

O DESERTO DE GÓBI

"O Deserto de Gobi é um extenso deserto situado ao norte da China e ao sul da Mongólia. A palavra Gobi significa deserto em Mongol (língua nativa da Mongólia).

O deserto mede 1600 km de leste a oeste e 800 km de sul a norte. O clima média anual é de -2.5°C a +2.8°C e o extremo chegou a 38.0°C e -43°C em uma região e 33.9°C e -47°C em outra. É o deserto arenoso mais setentrional de todos e lar de alguns animais raros tais como o Camelo Bactriano (de duas corcovas) e o raríssimo cavalo de Przewalski.

O deserto de Gobi é conhecido no mundo da Paleontologia pela riqueza e qualidade das suas jazidas fósseis, onde foram descritas pela primeira vez muitas espécies de dinossauros."

in Wikipedia
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retirado de geoapoio.blogspot


um blog a visitar

Postal (14) - Dentro de dias ...

* Victor Nogueira
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Évora

68.10.29

ECF

(flores)

Dentro dias, quando tiver as malas arrumadas (ou desarrumadas) escrever lhe ei com mais pormenor contando lhe os meus feitos nesta urbe. Mas ... até lá, fica aqui um abraço de felicitações, que eu gostaria fosse dado pessoalmente. Saudades a todos, aí em casa e na Farmácia [Sanitas]. Para a Maria Luísa e para si um abraço do VM

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Postal (13) - Cheguei hoje por volta das 12h30m

`* Victor Nogueira
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Évora

68.10.25

NSF

Évora, ruínas do templo romano

Cheguei hoje por volta das 12h30m, agora são cerca de 21:30: estou a escrever-vos sob a luz dos holofotes que iluminam a Praça do Giraldo (o Rossio cá do burgo), apoiado no parapeito duma fonte aqui existente. Já requisitei o apartado, mas só devem dar me a chave dentro de uma semana, pelo que deveis escrever-me para a POSTA RESTANTE, ÉVORA. Escreverei em breve, talvez amanhã.

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Saudades ao José João. Um abraço do VM

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Postal (12) - Ten[cionava es]crever-te,

* Victor Nogueira
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Évora

71.05.27

JNS

Beja,

da janela da torre de menagem

[Caro Zecas]


Ten[cionava es]crever-te, mas como se não tem proporcionado, não quero deixar de enviar-te um grande xi pelo teu último ano [no] Clube dos "minores", que é [como] quem diz, pelos teus vinte anos. Deves estar também a preparar os teus exames, que desejo corram na medida dos teus desejos. Quanto a mim [cá vou] andando, cada vez mais [...]. Para a semana tenho o primeiro dos oito exames que tenciono fazer agora. Loucuras! Fui a Beja e a Serpa, domingo passado. Gostei. Saudades e abraços do VM

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Em conversa com ... (8) TODO O MUNDO E NINGUÉM - Senhores e servos

* Victor Nogueira
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Gracias. O teu post lá está mas nenhum dos teus comentadores deixou marca em qualquer dos meus blogs, Mas não te esqueças que sou um «cientista» social que tomou partido desde os 16 anos e tenho a consciência do que existe só pode ser contrariado colectivamente, numa solidariedade internacional que muitas vezes implica a prisão, a tortura ou a morte. Porque os poderosos sabem dividir os pequenos. Têm milénios de sabedoria de opressão, repressão e mentira enquanto os que comem o pão que o diabo amassou têm milénios de subserviência ou de «esperteza» para tentarem sobreviver ou vegetar, de assassinatos individuais ou colectivos sobre os insubmissos, inquisições, Pides e congéneres, tortura e medo para que não tenham ou recusem a consciência da sua força.
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Sei que poucos lerão isto. Mas fica escrito. Para o bem e para o mal!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Em conversa com ... (13) a Maria, o Manel, a luta e os «pobrezinhos de estimação»

Olá :-)
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Não nos conhecemos a não ser de eu reparar no teu nome qd passo por imensos blogs. Nalguns lá estás nos comentários.
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E tive curiosidade em visitar-te.
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E deixar-te este comentário sobre a miséria e a pobreza:
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Antes do 25 de Abril havia muito quem se preocupasse. Como depois. Como sempre. Nos tempos actuais com especial destaque dos militantes do Partido Comunista Português, homens e mulheres com as virtudes e os defeitos do tempo em que estão mas pretendem seja outro. Acusados ontem de estar a soldo de Moscovo para instaurar uma nova ditadura - a dos pobres.
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E agora em «democracia» «forçados» a revelarem a identificação dos seus militantes, i.e., a tentarem forçá-los a entregar aquilo que a PIDE nunca conseguiu. Aos de agora, da União Europeia + States, muito mais sofisticados, não lhes chegam os números de identificação único ou a possibilidade do cruzamento de vários, os rastos deixados com os cartões de plástico ou as câmaras de videovigilância, a espionagem por satélite ou meios sofisticados que a nossa imaginação nem sonha que existem, ou a centralização e controle de todas as polícias de investigação, informação e repressão.
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As misérias não se resolvem com caridades, com palavras, mas com lutas e sacrifícios, com perda de carreiras brilhantes e bolsa folgada que alguns teriam se aceitassem vender-se por um prato de lentilhas ou uma saqueta de ouro ou diamantes.
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Por minha conta desde o 25 de Abril já tenho cinco saneamentos políticos, seguidos de despedimento ou prateleira praticados pelo PS. Os 1ºs foram no tempo desse pai da «democracia» e defensor da «liberdade» chamado Mário Soares. Que deixou filhotes, como um tal Sócrates tão mentiroso e bem falante como ele. Como a maioria daqueles que sairam do PC ou foram expulsos em rota de colisão, para se juntarem ao PS e «subirem» na vida com o doce perfume do dinheiro. Com uma única excepção dum que conheci pessoalmente e teve a minha consideração até morrer: o Barros Moura. Que sendo do PS, não fez qualquer frete à Senhora de Felgueiras/PS, demitindo-se de Presidente da Assembleia Municipal
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A minha avó materna tinha o seu pobrezinho de estimação. Tal como refere Alçada Baptista em relação à sua família e outras na sua «Peregrinação Interior».

A pobreza e a riqueza não existem por ganância. A ganância é própria dos sistemas socio-económicos cujos senhores vivem à custa da ignorância, da mentira da alienação ou da falta de consciência da sua força se unidos: os explorados que não são donos dos meios de produção. Prendendo, matando, tortutando todos aqueles que tentam pôr em causa o poder e desmascarar senhores e mandantes bem como seus mandatários ou homens/mulheres de mão.
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Pk havia povos que receberam os europeus de braços abertos onde não vigorava a «concorrência» e foram logo de seguida mortos, aprisionados ou escravizados por causa de ouro, esmeraldas e outras riquezas.
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Antes do 25 de Abril havia miúdos a fazerem mandados ou a venderem jornais pela rua ou velhotes ou não pedindo pelas ruas ou à porta das igrejas, a mão estendida à caridade pública. E outros sentados nas esquinas ou nos passeios mostrando as suas chagas ou membros paralizados.
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Depois do 25 de Abril desapareceram, não porque tivessem sido escondidos ou mortos, mas porque lhes foram reconhecidos direitos que agora estão paulatinamente a ser retirados. A qualidadade de vida das populações melhorou graças às nacionalizações, que sujeitaram as empresas à lógica do serviço público e não à ganância do lucro e da mentira.
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E melhorando significativamente, essa melhoria foi mais avançada nos municípios geridos pelo PCP, cujos autarcas não aparecem acusados ou condenados por corrupção como sucede com os do CDS, do PPD ou do PS.
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Além de pretenderem imiscuir-se na vida interna do PCP, qd têm estatutos que se lhe assemelham no que se refere à disciplina de voto e ao centralismo democrático, PS/PSD já fizeram e querem fazer leis que lhes permitam «extinguir» os outros partidos, forçando à abstenção de quem não se referisse nos dois candidatos ao alterne. Mesmo que os que deixassem de votar superassem largamente os que votassem PS ou PSD.
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O CDS é uma excrecência que já não tem razão de ser. Ficava o PCP. Mas ó deus, aqueles «amigos do povo» descobriram que assim iam ser extintos microscópicos partidos que ninguém conhece: o dos monárquicos, os reorganizadores do partido do proletariado e mais alguns. E agora andam numa fona para mudar a lei, não para permitir que o PCP «sobreviva» mas para assim conseguirem mais facilmente impor o «democrático» colete de forças do alterne.
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E fica para outra conversa a discriminação que é feita ao PCP nos órgãos de comunicação de massa, sejam administrados pelos grandes capitalistas, seja pela Igreja, sejam «órgãos ditos de referência», sejam tablóides.
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Voltam assim os pobrezinhos de estimação. Seja para que a piedosa Igreja exerça o seu múnus caritativo e anestesiante, seja para que os ricos possam lavar a alma pelos milhões que condenam à miséria extrema mas com esperança de salvação à hora da morte porque tiveram um pobrezinho de estimação, humilde e bem comportado.
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PS (salvo seja :-)- Gostei do teu blog