sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Que pena, Edgar, uma crónica de Francisco Louçã e alguns comentários

É a Coreia do Norte uma ditadura ? É o monárquico Reino Unido uma democracia? E os republicanos EUA o que serão ? São defensáveis em democracia “instituições” como o Senado ou a Câmara dos Lordes ? A democracia “afirma-se” apenas em processos eleitorais de tantos em tantos anos baseados em condicionamentos à consciência dos eleitores e no show-business? A democracia existe quando toda a política tem como finalidade a protecção mais ou menos encoberta dos grandes senhores do dinheiro e donos disto tudo ? Há democracia sem pão, sem paz, sem habitação, sem educação, sem trabalho, sem direito à vida que não seja apenas respirar ? Na mesma altura na Arábia Saudita foram executados dezenas de opositores ao Regime e as mulheres não têm direitos enquanto Israel nuclear chacina impunemente os palestinianos. Que é na verdade uma democracia ? A dos “coronéis” não é seguramente a dos “sem-terra” e a democracia da minoria e ditadura para a maioria, mesmo que disso não tenham consciência.Há democracia em Portugal e na União Europeia? Se não há, porquê ? Como escreve Brecht nas Perguntas de um Operário Letrado “Tantas histórias / Quantas perguntas”

  1. Suponho portanto que não interessa se na Coreia do Norte não há direito de greve nem direito de formar um partido.
  2. Nada do que escrevi permite  concluir o que me “supõe”. E creio que o Louçã não reduz a aferição da “democraticidade” à mera existência de direitos à greve e a partidos políticos. Os Direitos Humanos são muito mais vastos. A existência/protecção da greve e dos partidos políticos na generalidade dos países da União Europeia é suficiente para considera-los democráticos ? Quais são os Direitos Humanos fundamentais ? pode ser uma questão. Resolvida esta, em que países esses direitos são protegidos e valorizados ? É relevante numa eleição presidencial o candidato – porquê este e não aquele ? — pronunciar-se se este ou aquele país é uma democracia ou uma ditadura? Sem esquecer que há candidatos mais ou menos ”rodados” /treinados no show-off e nos jogos de cintura. Para a “esquerda”, com vários candidatos, quem é o adversário ? A Marzia ? O Edgar ? O Marcelo ? Entre estes três, quais têm possibilidades de passarem a uma eventual 2ª volta, não vencendo logo à 1ª ? Nada se reflectiu sobre os processos que permitiram as eleições de Cavaco Silva ?
  3. O sr. Nogueira dá saltos de macaco na esperança de conseguir ter alguma razão que desculpe e esconda que a Coreia de Norte é uma anacrónica ditadura, truculenta e feudal que envergonha qualquer seguidor de um comunismo Marxista. Se, de facto, cada estado ocidental democrático tem faltas e desvios sociais a condenar e a corrigir, querer tapar os olhos às pessoas sobre a realidade norte-coreana evocando essas insuficiências e debilidades, é uma tentativa não só infantil como chega a ser hilariante.
Exemplar a argumentação do Senhor Calvet, que treslê em conformidade com os seus preconceitos e duma concepção maniqueísta da realidade. Nos meus comentários não me pronuncio sobre a Coreia do Norte (nem do Sul). Limito-me a pôr uma série de interrogações. Mas a elas Calvet nada mais tem a opor senão o que diz serem eventuais “saltos de macaco” que me caracterizariam, talvez pretendendo achincalhar-me. Esteja calmo, Calvet, pois fazendo parte da mesma “humanidade”, também tem como antepassados os símios. Nada que deslustre qualquer de nós. E já agora, na sequência de perguntas “cirúrgicas” de certos entrevistadores, serão “democráticos” os processos de escolha do Presidente dos EUA ou do Rei/Rainha nas Monarquias “parlamentares”, designadamente no Norte da Europa ?


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  1. Francisco Louçã: sou comunista, membro do PCP, e não tenho dúvidas em dizer que a Coreia do Norte não é uma democracia de tipo ocidental, não tem eleições livres e, a coberto de uma herança heróica e vitoriosa de luta pela independência, contra o imperialismo, onde assumiu um papel relevante Kim il Sung, mantém um poder dinástico com o qual não concordo e que contraria princípios de democracia participativa inseparáveis do próprio conceito de socialismo. Agora, isso não me impede de perceber que o que está por detrás da crítica feita à Coreia do Norte é, a maior parte das vezes, uma caricatura que pretende pôr em causa, não aquele regime, mas os comunistas e a opção dos povos de derrubarem o capitalismo e construírem sobre os seus escombros uma sociedade diferente.
    Tendo a reserva crítica que afirmei, também não tenho dúvidas em reconhecer que a Coreia do Norte defende princípios, com os quais concordo (se os aplica é outra discussão), de resposta universal às necessidades básicas da população –saúde, educação, cultura, entre tantos outros. Que naquele país o estado controla os meios de produção e a economia. Que eles defendem até às últimas consequências o direito de seguir o caminho que entenderem. E também não tenho dúvidas de que é por essas razões –por essa afirmação de independência e emancipação– que são tão atacados. Não por serem uma ditadura. Recordemos que os mesmos que lhes apontam o dedo por falta de democracia e monarquias comunista abençoam a Arábia Saudita ou Israel, absolvendo os seus crimes e tentam trazer para a UE a Ucrânia ou a Turquia onde se ilegalizam comunistas e se perseguem povos inteiros.
    Só por inocência, má fé ou desconhecimento se pode achar que a luta contra a Coreia do Norte é sinceramente pela democracia. Ela é contra a construção do socialismo e, com isso nenhum comunista pode pactuar, pelo menos sem denunciar o cinismo e hipocrisia de tal processo.
    O PCP sempre defendeu que, da mesma forma que não admitiu ingerências no caminho que decidiu para si em Portugal, também não avaliaria publicamente as opções de outros partidos comunistas e operários. Levou essa posição às últimas consequências, desde, no seu início, deixando de ser secção portuguesa da internacional comunista, até, no pós 25 de Abril, fazendo comícios de amizade com o PCI ou o PCE, partidos que afirmavam uma linha eurocomunista com a qual o partido estava completamente em desacordo. Mesmo conhecendo, e bem, processos com os quais não concordava nos países socialistas, o PCP sempre afirmou coerentemente que cabia aos comunistas e aos povos desses países alterar o que entendessem e construir o seu caminho.
    Sendo esta a posição do PCP, conhecida, com que objectivo se coloca uma questão daquela natureza a Edgar Silva, sendo este membro do Comité Central, senão com a pretensão de criar um caso completamente lateral às presidenciais e ao debate político português?
    1. Tanta conversa para dizer coisa nenhuma e seguir a habitual linha das pessoas conotadas com o PCP: rodriguinhos, enrolar enrolar para fugir à questão (será genético entre os membros e simpatizantes do PCP?). A pergunta não era se a Coreia do Norte era uma democracia do tipo ocidental, mas sim se era uma ditadura, até porque, por definição, só há um tipo de democracia, que é aquilo a que chama do “tipo ocidental”. E então, Rui Martins, a Coreia do Norte é ou não uma ditadura? Para o caso de responder, não é preciso ocupar muita largura de banda pois não estamos a discutir a teoria da relatividade… a resposta é do tipo sim ou não.nnnnn
  2. Ah… esqueci-me. E não vale a pena ir nessas histórias das URSS, Cubas, Coreias, e outros anti-comunismos primários, só para desviar meia dúzia de votos para a Mariza…
    Essas tácticas já são velhas… 
  3. Esta crítica generalizada da comunicação social contra Edgar Silva, não é justa. É um homem de resistência que conseguiu ser eleito num ambiente extremamente difícil, num clima de total domínio do PSD na Madeira, e a sua elite dos negócios com o orçamento.
    É um homem simples. Um resistente e um lutador, e por isso a sua presença intimida.
    Nem todos são talhados para a ribalta e para as televisões. Mas Edgar Silva foi talhado para líder, disso não tenhamos dúvidas. 
  4. O sr. Nogueira dá saltos de macaco na esperança de conseguir ter alguma razão que desculpe e esconda que a Coreia de Norte é uma anacrónica ditadura, truculenta e feudal que envergonha qualquer seguidor de um comunismo Marxista. Se, de facto, cada estado ocidental democrático tem faltas e desvios sociais a condenar e a corrigir, querer tapar os olhos às pessoas sobre a realidade norte-coreana evocando essas insuficiências e debilidades, é uma tentativa não só infantil como chega a ser hilariante.
    1. Exemplar a argumentação do Senhor Calvet, que treslê em conformidade com os seus preconceitos e duma concepção maniqueísta da realidade. Nos meus comentários não me pronuncio sobre a Coreia do Norte (nem do Sul). Limito-me a pôr uma série de interrogações. Mas a elas Calvet nada mais tem a opor senão o que diz serem eventuais “saltos de macaco” que me caracterizariam, talvez pretendendo achincalhar-me. Esteja calmo, Calvet, pois fazendo parte da mesma “humanidade”, também tem como antepassados os símios. Nada que deslustre qualquer de nós. E já agora, na sequência de perguntas “cirúrgicas” de certos entrevistadores, serão “democráticos” os processos de escolha do Presidente dos EUA ou do Rei/Rainha nas Monarquias “parlamentares”, designadamente no Norte da Europa ? 
    2. http://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia/2016/01/07/que-pena-edgar/

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